O que as palavras insistem em mostrar

Os trabalhadores majoritariamente apóiam o governo Lula porque imaginam que é um aliado. O passado da maior liderança da história do movimento operário brasileiro justifica essa ideia falsa.

O problema é que ele também é apoiado pela maior parte da burguesia no Brasil e é endeusado pelos governos imperialistas. Se Lula é apoiado pelos dois lados, alguém está sendo enganado. Nesse caso, seria quase impossível a burguesia ser tapeada. São os trabalhadores que estão sendo enganados.

A burguesia tem motivos para apoiar Lula. Os lucros das grandes empresas quadruplicaram entre o último governo FHC e o primeiro mandato de Lula. Os ativistas sabem o que foi o governo de direita de FHC e, com toda a razão, o repudiam. Pois saibam que Lula deu quatro vezes mais lucros para a grande burguesia do que FHC.

Quando a crise econômica ameaçou as grandes empresas, o governo saiu em sua defesa com empréstimos a juros baixíssimos, redução de impostos, torrando R$ 300 bilhões. Não fez nada para salvar os empregos dos trabalhadores da Embraer ou de qualquer outra empresa, se recusando a decretar a estabilidade no emprego.

O imperialismo tem sólidas razões para dizer que Lula é “o cara”. Entre outras coisas, o governo brasileiro mantém a ocupação militar no Haiti há quase dois mil dias, a serviço das multinacionais instaladas no país. Nessa semana, o mandato da Minustah deve ser renovado.

Comemorar o quê?
Os trabalhadores não têm nada a comemorar. Qual foi a grande conquista para sua vida concreta nos dois mandatos de Lula?

Será preciso que a própria experiência concreta termine por virar a consciência dos trabalhadores contra o governo. Mas para acelerar, queremos chamar os ativistas a conferir de que lado ficou Lula em todos os enfrentamentos de classe que ocorreram durante o seu governo. Quando houve um choque concreto das mobilizações dos trabalhadores contra a burguesia, a quem Lula apoiou?

Dois casos são bem ilustrativos. No último, Lula chamou os militantes do MST de “vândalos” fazendo coro com a campanha da direita contra os ocupantes da fazenda da empresa Cutrale. O que vale para Lula não é o fato de que uma multinacional roubou terras públicas e que o MST está coberto de razão em ocupar estas terras. O que importa é ceder à campanha da direita, para “não ficar mal” com a classe média.
Algumas semanas antes, Lula chamou os grevistas dos Correios de “covardes”, em um momento importante da greve, em que se poderia esperar um apoio decidido, caso Lula fosse um aliado. Dessa forma, publica e desrespeitosamente, Lula exigiu que os dirigentes sindicais da base governista (CUT e CTB em particular) acabassem com a greve, no que foi plenamente atendido.

“Covardes” e “vândalos” sãos os que lutam no movimento sindical e popular, segundo Lula. Para ele, no entanto, Sarney tem uma “história inatacável”, Bush e Obama são “amigos”, os latifundiários são “heróis”. É aqui que as máscaras caem.

Post author Editorial do Opinião Socialista 392
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