O preço da destruição ambiental

No final do ano passado, o capitalismo mostrou sua total incapacidade de resolver os problemas que ameaçam a humanidade. A maior reunião diplomática da história, a 15ª Conferência do Clima (COP-15), que reuniu mais de 200 chefes de Estado, terminou em um grandioso fracasso. A humanidade, que dependia de uma decisão importante para enfrentar o aquecimento global, foi abandonada à sua própria sorte.

O desenvolvimento do capitalismo industrial ocasionou uma desastrosa degradação ambiental. Como prova da ação irracional sobre a natureza, estima-se que 30 mil espécies são extintas por ano. Em 2007, o sinal vermelho foi dado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão ligado à ONU que reúne centenas de cientistas que estudam as mudanças climáticas da Terra. Segundo o IPCC, a temperatura do planeta pode subir entre 1,1ºC e 4ºC até 2100.

As maiores evidências científicas sobre o aquecimento global são a diminuição da cobertura de neve de altas montanhas e o rápido degelo do Ártico.

No último século, a temperatura do Ártico aumentou dois graus, o que resultou no derretimento de 40% da camada de gelo. O fenômeno é evidente. Pela primeira vez na história, navios cargueiros fazem pelo Ártico a rota entre a Ásia e a Europa.
O degelo de geleiras e de áreas continentais, por exemplo, da Groelândia ou da Antártida, vai elevar os níveis dos oceanos, além de provocar o aquecimento das águas. O IPCC prevê que os oceanos podem se elevar entre 18 cm e 58 cm até o fim do século. Isso vai resultar no desaparecimento de cidades costeiras e ilhas. Também vai mudar de forma imprevisível o clima.

Localmente, as variações climáticas irão de secas a enchentes extremas, com incêndios de vastas proporções, pestes agrícolas descontroladas, alterações (ou extinção) em diversos ecossistemas que, por sua vez, influenciarão a produção de alimentos, provocarão imensos deslocamentos populacionais (os refugiados do clima) e muitas outras catástrofes.

Um caminho sem volta
O aquecimento é provocado pela emissão dos gases estufa, como o dióxido de carbono (CO2), metano ou óxido nitroso. Eles aprisionam o calor emitido pela Terra, como se houvesse um cobertor embrulhando o planeta.

A maior parte desses gases é produzida pela queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás, a principal matriz energética da humanidade desde o início do século passado.

Muitos cientistas apontam que o ser humano interfere no clima do planeta praticamente desde que surgiram as primeiras civilizações e, com elas, as atividades agrícolas.

No entanto, na era do capitalismo industrial, houve um salto qualitativo de emissões dos gases estufa. O metano, por exemplo, aumentou em 145%, enquanto o dióxido de carbono cresceu 30% e o óxido nitroso, 15%.

O pior de tudo é que o aquecimento já é irreversível. Segundo o IPCC, mesmo se todas as emissões de gases-estufa fossem cortadas a zero, o fenômeno continuaria por séculos. Resta apenas tentar estabilizar as emissões dos gases que causam o efeito estufa para evitar uma catástrofe ainda maior.

Uma bomba relógio
Há bons motivos para os cientistas defenderem medidas que estabilizem o aquecimento global. De acordo com o IPCC, seria necessário cortar as emissões de gases estufa em 80% nos próximos 40 anos. Do contrário, a temperatura do planeta continuará aumentando, e o aquecimento do planeta terá um efeito dominó devastador.
Ao longo do norte do Canadá e da Sibéria (Rússia) encontra-se o Permafrost, um tipo de solo congelado que em razão de processos de decomposição orgânica mantém bilhões de toneladas de metano, um gás estufa 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono. A liberação desse metano estocado poderia provocar um aquecimento global descontrolado, ameaçando a humanidade.

Do mesmo modo, a diminuição do da área congelada no Ártico também diminui a capacidade de reflexão dos raios solares. Ou seja, à medida que a área gelada diminui, a região absorve mais calor, aumentando a temperatura e acelerando o derretimento do gelo. Além disso, o aumento da temperatura dos oceanos diminui a capacidade de absorção.

Por fim, a destruição de florestas não só libera mais gases estufa para a atmosfera (através de queimadas), como também reduz toda uma cobertura valiosa para absorção destes poluentes.

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