O patético fracasso do ato governista em Brasília

Ato da UNE em Brasília
Agência Brasil

Ato governista em Brasília não empolga sequer seus organizadores. Ônibus voltam vazios da UnBO ato de UNE, CUT e CMS em apoio ao governo Lula foi, literalmente, um tiro que saiu pela culatra. Das cerca de cinco mil pessoas que saíram da Catedral de Brasília, por volta das 10 horas, desta terça-feira, somente umas 3 mil tiveram disposição de acompanhar a tropa governista até o final do ato, na frente do Congresso. E, ainda assim, em completo desânimo.

O fracasso do ato já estava evidente pela manhã, quando, contando, evidentemente, com ajuda do próprio governo, a UNE e a UBES tentaram, sem sucesso, levar estudantes para o ponto de concentração do ato. Para se ter uma idéia da falta de disposição da estudantada em participar da farsa montada pela entidade governista, basta dizer que Gustavo Petta, presidente da UNE, deslocou-se pessoalmente para a Universidade de Brasília (UnB), levando cinco ônibus vazios e, com outros diretores da entidades e membros do PCdoB, fez um “arrastão” pelas salas de aula, tentando convencer os estudantes a aderir ao “anti-protesto”. O resultado: somente 20 pessoas entraram nos ônibus, número pouco maior do que o dos militantes que haviam se deslocado para a UnB. Uma situação que também se repetiu nos ônibus que a Ubes levou para a porta das escolas secundaristas.

Mesmo assim, na saída da concentração, o pífio ato era composto majoritariamente por jovens, que percorreram o percurso do ato em cerca de duas horas, encerrando a atividade por volta das 12h30, num clima que beirou o patético.

Fica Lula???
Os discursos de encerramento da “Marcha dos caras-de-pau” formaram um fiel reflexo do patético fracasso do ato. Valter Pomar, falando em nome do PT, não só afirmou que o partido de Lula, Zé Dirceu, Delúbio e Cia. é contra a corrupção quanto ainda tentou livrar a cara do governo dizendo que Henrique Meirelles, o suspeito presidente do Banco Central, faz mais mal ao Brasil do que Delúbio. Como se Lula não tivesse escolhido os dois para atuarem ao seu lado.

Outro momento constrangedor foi a insistência com o qual um dos dirigentes da Coordenação dos Movimentos Sociais, repetia no caminhão de som a frase “Este não é um ato chapa-branca”, numa tentativa quase que desesperada de negar o que estava evidente para todos que vissem as faixas carregadas pelos “manifestantes” e os discursos pronunciados.

Contudo, a cena mais patética do ato e que dá a melhor dimensão de seu fracasso foi protagonizada pelo presidente do PCdoB, Renato Rabelo. Já no final da atividade, quando metade dos participantes já se refrescavam no espelho d´água em frente ao Congresso e pouco mais de mil pessoas estavam diante do carro-de-som, Rabelo conclamou, por várias vezes, as pessoas a acompanharem o grito “Fica Lula!“, eixo de um de seus recentes artigos. Depois da quarta ou quinta vez em que o berro de Rabelo ecoou no vazio, não sendo acompanhado por praticamente ninguém, o dirigente do PCdoB simplesmente desistiu e se calou.

A UNE e a CUT marcaram o seu ato para o dia 16 para tentar esvaziar o ato da Conlutas, no dia seguinte. O esvaziamento do protesto governista, (ainda que o site da UNE tenha a cara-de-pau de falar em 15 mil), e o silêncio de sua própria base foram um recado contundente para as entidades governistas de que o povo já não está mais disposto a poupar Lula e seu governo das falcatruas que imperam no país. Nesta quarta, 17, quando ocorre o ato da Conlutas, eles deveriam tapar seus ouvidos, pois, caso contrário, terão que ouvir, em alto em bom som, milhares de estudantes e trabalhadores gritando “Fora todos!”: dos corruptos do PFL aos seus comparsas do PSDB; de Lula aos representantes de seu partido e seus aliados nos movimentos sociais.