O desastre no Golfo do México

Explosão em plataforma da British Petroleum causa um dos piores vazamentos de óleo da HistóriaO mundo assiste perplexo o que pode ser o maior desastre natural causado pela indústria petroleira. A explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon, da British Petroleum, provocou um colossal derramamento de petróleo no Golfo do México. Desde o dia 20 de abril, entre 1,9 milhão e 3,8 milhões de litros de óleo são despejados por dia no mar, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. O derramamento supera o acidente do petroleiro Exxon Valdez, no Alasca em 1989, que jogou mais de 40 milhões de litros na região.

Até agora o vazamento não foi controlado. Seus efeitos sobre a fauna e flora da região são imprevisíveis. A mancha de óleo já chegou ao litoral dos EUA. Toda a vegetação dos pântanos que auxilia na proteção da cidade de Nova Orleans contra os furacões está morrendo. O fato já levou a prefeitura da cidade (que fica abaixo do nível do mar) a alertar a população para se preparar para o pior.

A região é frequentemente afetada por furacões, cuja temporada anual começa no dia 1º de junho. Além disso, segundo o Serviço Geológico dos EUA, os furacões poderão expor ainda mais a região a novos desastres. O fundo do golfo do México é cruzado por cerca de 50 mil quilômetros de tubulações de óleo. Geofísicos alertam para os riscos potenciais dos efeitos de furacões. Por outro lado, o início da temporada de furacões vai dificultar ainda mais os trabalhos de limpeza e contenção do vazamento de óleo.

Criminosos reincidentes
A explosão também matou 11 trabalhadores que operavam a plataforma, revelando toda precarização do trabalho praticada pela British Petroleum. Também não é a primeira vez que a BP se envolve com desastres ambientais e mortes de trabalhadores.

Em 2005, uma refinaria da petroleira no Texas explodiu, deixando um saldo de 15 mortos e 170 feridos. Em 2006, um oleoduto de BP no Alaska derramou um milhões de litros de óleo. O desastre do dia 20 de abril pode ser considerado, portanto, uma tragédia mais do que anunciada.

Recentemente, a empresa exibiu com orgulho seus lucros obtidos no primeiro trimestre de 2010: foram mais de 6 bilhões de dólares, o dobro do ano passado no mesmo período. Os lucros da petroleira em 2009 somam 327 bilhões de dólares, o que fez da BP a terceira empresa maior do país.

Como uma empresa com tamanha lucratividade foi incapaz de adquirir uma válvula que poderia ter impedido o desastre? O que está por trás disso tudo é a diminuição das despesas da empresa (precarizando condições de trabalho e afrouxando qualquer medida de proteção ambiental) para manter sua alta lucratividade.

Por outro lado, não é difícil imaginar a importância que uma empresa como a BP tem sobre o cenário político norte-americano, como, por exemplo, no financiamento de campanha de políticos democratas ou republicanos. Por ter as “costas quentes” em Washington, a BP nunca foi punida seriamente.

Pior ainda, a política orientada por Barack Obama está em conformidade com a ambição das grandes petroleiras. No dia 30 de março, o presidente norte-americano propôs abrir as águas do Atlântico Norte para a extração de gás e petróleo. Pelo menos 40 % dessa área está situada no Alaska, uma das poucas áreas ainda preservadas do planeta. A ironia de toda essa história foi que o Alaska esteve a salvo da sanha petroleira em razão de uma lei editada por Bush pai, nos final dos anos 1980, que proibiu a exploração de petróleo na região. Evidentemente, que o desastre do navio petroleiro Exxon Valdez contribuiu para que a opinião pública pressionasse o então governo republicano editar a medida.

Brasil não está livre de catástrofe
O Brasil não está preparado para um desastre como este. Não existe nenhum plano de emergência para o caso de acidentes, nem dispersantes que auxiliam na dissolução do óleo. Para piorar, a exploração do Pré-sal será mais profunda e ainda mais longe do que a do Golfo do México. Como se não bastasse, a BP vai atuar no Brasil junto às plataformas que irão explorar o Pré-sal.

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