O começo da recessão

A provável recessão nos EUA vai se estender para todo o mundo, inclusive o BrasilO ano passado fechou com dados que apontam para o começo da recessão nos EUA. O setor imobiliário já vive uma crise aberta, com queda de 4,5% e 6,5%, no terceiro e quarto trimestres de 2007. O crescimento do PIB baixou de 4,9%, no terceiro trimestre, para 1,8%, no quarto. A taxa de desemprego ficou em alarmantes 5% em dezembro (o dobro do ano anterior). Junto com isso, a inflação cresceu, passando de 2,5%, em 2006, para 4,1% (a maior taxa em 26 anos).

A evolução dos outros países imperialistas aponta para a mesma direção. A Itália já apresentou crescimento negativo e a França ficou perto de zero, no último trimestre de 2007. A Alemanha continua crescendo, ainda que a taxas cada vez menores, assim como o Japão.

Em geral, as recessões são definidas quando existem mais de dois trimestres de crescimento negativo. Portanto, tecnicamente, ainda não existe uma recessão nos EUA. Mas, os dados atuais indicam uma tendência: de que começou mais uma crise cíclica do capitalismo. Esta idéia está se consolidando, tanto entre os economistas marxistas quanto os burgueses. O que se discute é a dimensão da crise.

Os EUA determinam a economia mundial
A economia mundial é uma totalidade, cuja dinâmica é determinada pelos países imperialistas, em particular pela economia dos EUA, a maior de todas. São suas grandes empresas que determinam o fluxo de capitais internacionais. O mercado interno desse país absorve 25% dos produtos de todo o mundo.

Algumas vezes, as crises do conjunto do capitalismo se expressam primeiro em países semicoloniais ou dependentes (como foi a do México, em 1994, e da Argentina, em 2001). O capitalismo, para escapar de sua crise, em muitos momentos queima o capital na periferia para preservar os países centrais. Desta vez a crise começou pelo coração do imperialismo, os EUA, e afeta seriamente os grandes bancos.

Muitas “análises” apontam que países como a China ou o Brasil permaneceriam por fora da crise. A aparência dos fatos iniciais (a China e o Brasil seguem crescendo) possibilita esses equívocos. No entanto, o fato da crise se iniciar pelos EUA só indica sua gravidade. As economias da China e do Brasil dependem inteiramente da evolução dos EUA e serão duramente afetadas.

  • Veja o gráfico animado e entenda a crise no coração do império

    Post author Diego cruz e Eduardo Almeida, da redação
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