O Brasil é um país mais soberano ou mais dependente?

    A cartilha do PT fala que período entre 1990 e 2000 foi da ‘decadência induzida pela rota da neocolonização neoliberal’, que ‘condenou o país à condição de subordinado e dependente da globalização’. Mas houve alguma mudança nos últimos 10 anos?

    De fato, a privatização das estatais entregou a siderurgia, a mineração, o setor de energia, a telefonia e os bancos para as transnacionais. Foi forjada uma recessão para destruir milhões de empregos, rebaixar os salários e precarizar a mão-de-obra.
    Sem dúvida nenhuma, a década de 1990 marcada pelo neoliberalismo significou a perda da soberania nacional. Porém, os 10 anos do governo do PT no governo aprofundaram a subordinação e a dependência do Brasil ao imperialismo.

    Brasil depende do capital internacional
    O gráfico nesta página mostra a entrada de Capital estrangeiro no Brasil e a remessa de lucros das transnacionais, desde 1993. Nos 10 anos de governo petista, a entrada de capital estrangeiro quase triplicou. Já o lucro enviado para fora do país foi quatro vezes maior do que no período de Fernando Henrique Cardoso.
     Em 2012, o Brasil teve um déficit (na relação de entrada e saída de Capital do país) que somaram US$ 54 bilhões. Mas conseguiu atrair US$ 65 bilhões de dólares em investimentos para fechar as contas. Sem a vinda deste Capital, a crise econômica que atinge o mundo chegaria ao Brasil. Este Capital continua no país, porém, nos primeiros dois meses de 2013, o déficit chegou a US$ 18 bilhões e o ingresso de capitais internacionais a US$ 7,5 bilhões.
    O país está completamente dependente deste capital, boa parte dele é especulativo. Para vir ao país, o governo do PT mantém altas taxas de juros. O PT no governo aprofundou a dependência com o capital estrangeiro.

    Dependência excessiva de produtos primários
    O neoliberalismo impôs ao mundo uma nova divisão internacional do trabalho. Com suas transnacionais, dominou e transformou a China na fábrica do mundo. Ao mesmo tempo fez com que o Brasil se tornasse um grande produtor de alimentos e matérias primas. O resultado é que estamos dependentes das exportações de minério de ferro, soja e alimentos para a China.
    Foi justamente no governo petista, em 2008, que as exportações de produtos primários superaram as de produtos manufaturados (ver gráfico)
     Produzimos muito minério de ferro e importamos trilhos de trem a preço sete vezes mais caro. Temos o maior rebanho de gado do mundo e não é fácil para a maioria dos trabalhadores comprarem carne. Exportamos óleo cru barato e importamos derivados de petróleo caros.
    Com a crise instalada no mundo, os países ricos, por meio das transnacionais, começaram a desovar os estoques de produtos que não conseguem vender por lá. O Brasil tinha um superávit comercial (vendia mais do que comprava) com os países ricos de US$ 12 bilhões em 2008. Em 2012, passou a comprar mais do que vender e acumulou um déficit de US$ 15 bilhões. Por isso, a indústria brasileira está tendo um déficit anual de US$ 94 bilhões. Estamos transferindo empregos industriais para os países ricos e para a China. São as transnacionais instaladas no Brasil que estão importando em massa. Por exemplo, desde 2008 que a indústria automobilística importa massivamente carros para o Brasil, enquanto diminue sua produção no país.

    Transnacionais dominam
    Pesquisadores suíços estudaram o movimento de 43 mil transnacionais no mundo e concluíram que 147 companhias controlam 40% da riqueza mundial. Estas grandes corporações transnacionais também dominam a economia brasileira. Exemplos não faltam. O BlackRock, maior fundo de investimento do mundo, é o grande acionista da Vale, Petrobras, Embraer, Gerdau, AmBev e uma das maiores construtoras como a PDG, Cyrela, Gafisa e MRV. Na agroindústria é acionista da BR-Foods. Também é acionista do Grupo Pão de Açúcar, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.
    As transnacionais dominam a economia brasileira. Representam 100% das montadoras; 92% do setor eletroeletrônico; 75% das autopeças; 74% das telecomunicações; 68% do setor farmacêutico; 60% da indústria digital; 57% do setor de bens de Capital; 55% do setor de bens de consumo; 50% na siderurgia e metalurgia; e 47% na petroquímica. No agronegócio, 30 empresas dominam o complexo agroindustrial e mais de 70% destas empresas são multinacionais.
    O domínio estrangeiro é maior ainda porque estes números não contam com as participações estrangeiras como sócias minoritárias nas firmas de Capital nacional.  
    Os governos do PT aprofundaram o domínio das multinacionais sobre a economia brasileira, que contou com o financiamento a juros baixos do BNDES. Foram agentes direto da recolonização do país.
    Ao contrário da propaganda petista, o Brasil não é um país mais soberano nos dias de hoje. Infelizmente é nossa soberania é ainda menor. Com o maior controle da economia, as multinacionais decidem o que fazer do país. Até agora, continuam investindo no Brasil, embora menos do que antes. O governo Dilma cumpre todas as exigências das multinacionais. Quando decidirem parar os investimentos, o país afundará na recessão como parte da crise mundial.

    Post author Nazareno Godeiro, do ILAESE
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