Nove mil operários param as ruas de Belém no primeiro dia de greve da construção civil

Trabalhadores são duramente reprimidos pela polícia da governadora Ana Júlia Carepa (PT), mas votam pela continuação da greveO primeiro dia de greve da construção civil no Pará foi marcado por muita luta e união por parte dos operários da categoria. Desde às 6h, mobilizaram-se em piquetes na frente das obras. Nove mil operários das principais obras do estado entraram em greve por tempo indeterminado reivindicando um reajuste maior nos seus salários.

A patronal, como era esperado, fez de tudo para impedir a greve, contratando seguranças armados para não deixar os operários saírem de suas obras e impedir a adesão à greve. Além disso, os patrões também contaram com o apoio da polícia militar e a tropa de choque, a Rotam, da governadora Ana Júlia Carepa (PT), que reprimiu violentamente os trabalhadores durante o ato.

A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a massa de trabalhadores e impedir que os operários entrassem nos canteiros de obras para retirar os companheiros que ainda trabalhavam. A direção do sindicato chegou a fazer um acordo com o comandante da Rotam para garantir a manifestação de forma pacífica.

Os operários exigiam seguir o ato para paralisar obras que ainda estavam com trabalhadores. Cada obra parada era comemorada com entusiasmo, porém era visível o aumento do número de policiais, o que já indicava o que viria a seguir.

Repressão da polícia deixa 15 trabalhadores presos e quatro feridos
Os patrões deixaram claro, desde o início do ato, que não deixariam barato e que estavam dispostos a reprimir de forma dura a paralisação. Logo no começo, seguranças armados da construtora Urbana atiraram nos operários que tentaram entrar na obra para retirar os trabalhadores que ainda estavam lá. Os operários ficaram revoltados e foram para cima dos seguranças. A polícia interveio com bombas de gás e balas de borracha.

Os operários não esmoreceram. O resultado foi dois operários feridos, um na cabeça e outro na perna. Mas o pior ainda estava por vir. Na Praça Brasil, no centro de Belém, quando o ato já estava voltando ao sindicato para que os operários almoçassem, a Polícia Militar, que estava na retaguarda, começou a bater e a perseguir os trabalhadores de forma violenta.

Para se ter uma ideia, os policiais arrancaram o motorista do carro de som e o prenderam de forma arbitrária e injusta. Cortaram o som e passaram a jogar gás lacrimogêneo nos manifestantes, atirando contra os operários e causando pânico na população presente.

O confronto foi inevitável. Os operários jogaram pedras, frutas e pedaços de madeira para se defender dos ataques. Um trabalhador foi surrado pela polícia e ficou com escoriações no corpo todo. Uma viatura passou em cima das pernas de um operário que teve lesão na coluna e as pernas paralisadas. O saldo foi 15 trabalhadores presos e quatro feridos.

Os operários ficaram revoltados com a situação. A polícia acabou com o ato, porém os operários seguiram até o sindicato e lá, votaram, por unanimidade, a continuação da greve. Os patrões já declararam que entrarão na justiça para decretar a abusividade da greve, mas a categoria está forte. Os piquetes vão continuar e a ordem é seguir com as paralisações até os patrões decidirem negociar.