Nova greve geral para Grécia contra pacote de ajuste fiscal

Manifestante enfrenta a polícia

Milhares de manifestantes vão às ruas e enfrentam a polícia em AtenasA Grécia parou novamente nesse dia 15 de junho, em meio a mais uma greve geral contra as medidas de ajuste fiscal e privatizações do governo do primeiro-ministro George Papandreau. Já é a terceira greve geral no país só este ano contra os planos de austeridade exigido pelo Fundo Monetário Internacional e a União Europeia e que está levando o país à beira de um caos social.

Os principais serviços públicos do país não funcionaram nesse dia, além de vários setores privados. Até os jornais aderiram ao movimento de greve. Trabalhadores das empresas estatais ameaçadas de privatização pelo governo grego também cruzaram os braços.

Protestos radicalizados
Além da greve geral, dezenas de pessoas saíram às ruas da capital Atenas, em protesto contra os planos de arrocho do governo. A polícia montou barricadas de dois metros de altura para proteger o Parlamento dos ativistas. Na Praça Syntagma, centro da capital, os manifestantes tentaram cercar o prédio do Ministério das Finanças e foram duramente reprimidos. Cerca de 1500 policiais foram mobilizados para conter as manifestações. Os enfrentamentos se estenderam por toda a manhã no local e 40 haviam sido presos até a tarde. A repressão feriu ainda ao menos 5 pessoas, uma delas gravemente.

“Que a plutocracia pague a crise, não o povo”, diziam os manifestantes nas palavras de ordem, assim como “povo, não baixe a cabeça e não se deixe vencer”. “Eles querem eliminar as conquistas sociais de vários século”, afirmou à imprensa um dos manifestantes, Vangelis Papadoyannis, funcionário de uma empresa de novas tecnologias. Um trabalhador de uma empresa de eletricidade afirmou que “se fosse em benefício do Estado, estaria disposto a fazer concessões mas estão vendendo só para pagar nossos credores”.

Além das manifestações, jovens gregos estão há pelo menos 21 dias acampados na praça do centro de Atenas, influenciados pelos “indignados da Espanha”.

Até a última gota
Os parlamentares gregos iriam iniciar nesse dia 15 a votação do novo pacote de cortes, exigência para a liberação da nova parcela da ajuda financeira, de 12 bi de euros (equivalente a R$ 27 bi), para o país rolar sua dívida. Pela condição imposta pelo FMI, o parlamento grego deve aprovar o novo pacote até 29 de junho. A nova medida impõe 6,5 bi de euros (algo como R$ 14,6 bi) em aumentos de impostos e o aprofundamento nos cortes no Orçamento, além de nova rodada de vendas de estatais.

As medidas de cortes e privatizações já levaram o país ao recorde de desemprego, com uma taxa de 16% de desocupados. Existe um consenso hoje entre os analistas de que a dívida pública grega, equivalente a um PIB e meio do país, é impagável. Os organismos financeiros internacionais e os banqueiros, porém, parecem querer sangrar o país até o limite, antes de renegociar as dívidas e as condições de pagamento.

Em meio ao caos instalado na Grécia e após três anos de recessão, o Comissário de Assuntos Econômicos da UE, Olli Rehn, exigiu que o país deixasse de lado as “disputas domésticas” para acelerar a aplicação do plano de contenção fiscal e privatizações. “É absolutamente necessário e urgente que se deixem de lado as disputas domésticas e que se logre um apoio de todos os partidos para a recuperação da Grécia. É uma ilusão pensar que havia alternativas reais ao programa de reforma econômica”“.

A violência policial contra os manifestantes e a pressão brutal do FMI e demais países europeus têm explicação. O perigo de calote da Grécia ameaça virar uma bola de neve que atingiria fortemente o continente, acabaria com o Euro e atravessaria o oceano. A agência de risco Moody´s rebaixou a nota dos três principais bancos franceses, Credit Agricole, BNP Paribas e Societé Generale, por seu envolvimento na dívida grega, tanto no setor público quanto privado. A Alemanha, por sua vez, será um dos mais prejudicados em caso de “default”.

Num cenário de moratória, a crise chegaria aos EUA, pois os bancos norte-americanos são os principais emissores de CDS (credit default swaps), espécie de seguro contra calotes.

Esses são os inimigos dos jovens e trabalhadores gregos que acampam nas praças do país e enfrentam a polícia a fim de defender seus empregos e direitos sociais.