Nota dos operários de Belo Monte à população de Belém e do Estado do Pará

    “CCBM e Dilma queremos negociação já!”

    Somos trabalhadores da construção e viemos a público demonstrar nossa inteira indignação e angústia por todas as injustiças e desrespeitos cometidos contra nós pelo Consórcio Construtor Belo Monte – CCBM, pela Força Nacional de Segurança enviada pelo governo Dilma e pela ROTAN enviada pelo governo Jatene.

    Somos de diversas cidades do estado do Pará e do Brasil e fomos trabalhar em Belo Monte para ganhar um salário melhor, e assim poder dar condições melhores de vida às nossas famílias. Ao chegar aos canteiros de obras, nos deparamos com salários baixos, com a violência da polícia que dorme e acorda nos vigiando.

    Temos muito orgulho de ser a mão-de-obra construtora desse país e de suas riquezas, mas nos entristece bastante a desvalorização do trabalhador na principal obra do Governo Dilma.

    A principal obra do governo deveria ser exemplo de respeito aos direitos trabalhistas, e respeito à liberdade humana de expressão, mas infelizmente, na contramão de tudo isso, o exemplo que arrasta Belo Monte pelos jornais e noticiários é o exemplo da obra com protestos frequentes, interrupções por parte de camponeses, ribeirinhos, indígenas e operários, todos em busca dos seus direitos.

    Não protestamos porque queremos e sim protestamos porque não aguentamos mais tanta exploração e humilhação. Não contamos com o apoio do SINTRAPAV – Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada do Pará, pois este é um sindicato omisso e conivente com os patrões do CCBM. Contamos sim com o apoio irrestrito da Central Sindical e Popular Conlutas, do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Altamira – SINTICMA e do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém – STICMB.

    Nossas reivindicações não são estranhas para quem trabalha em qualquer ramo. Mas, o estranho é que o patrão é o Governo Dilma, e o dinheiro que nos paga vem do nosso próprio bolso.

    Queremos o adicional de 40% de confinamento sobre os salários para quem é alojado. Queremos que todos os trabalhadores tenham direito à "baixada" (visita à família) no prazo de 90 dias. Queremos o pagamento das horas extras como manda a CLT, quando a gente trabalha mais de 44 horas por semana. Queremos ter direito a folgar no domingo e no feriado. Queremos receber os adicionais de periculosidade e insalubridade. Queremos a retirada da Força Nacional e da Rotam dos canteiros que está lá para nos reprimir.

    Por fim, amigos e amigas, população em geral, reafirmamos que a nossa greve foi pacífica. Não quebramos um prato, não derrubamos uma colher sequer. Nossa greve por melhorias trará a você também melhorias, pois temos certeza que são os salários dos trabalhadores que alimentam a sua família também, pois os operários comem, vestem, compram e utilizam uma diversidade de serviços no qual você ou o seu filho ou o seu parente usufrui. E estamos felizes por isso, em saber que os nossos salários irá ajudar a tanta gente em tantos lugares.

    Vamos firmes nessa luta em busca de dignidade e melhorias para a classe trabalhadora de Belo Monte, do nosso estado do Pará e de todo o Brasil.