Nossos direitos não estão à venda! Não à reforma da Previdência

Temer durante reunião com Henrique Meirelles, ministro de Estado da Fazenda e Ronaldo Nogueira, ministro de Estado do Trabalho e dirigentes sindicais. Foto: Alan Santos/PR

Nessa quinta-feira, 7, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que Michel Temer, em meio às negociações para a aprovação da reforma da Previdência, prometeu às direções das maiores centrais sindicais a liberação de R$ 500 milhões do imposto sindical que estavam retidas. A liberação ocorreria por meio de uma portaria que seria editada na semana que vem.

Curiosamente, a notícia da liberação de meio bilhão para as centrais vem poucos dias depois de as direções dessas entidades terem desmarcado a Greve Geral convocada para o dia 5 contra a reforma. O cancelamento da Greve Geral provocou amplo repúdio nas entidades de base e centrais como a CSP-Conlutas, que mantiveram o chamado à mobilização contra a reforma e o governo. E traz o seguinte questionamento: estariam as direções de centrais como CUT e Força Sindical envolvidas em algum tipo de negociação com o governo?

Fato é que, em pleno dia 5 de dezembro, a cúpula da Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central se reuniram com Temer e o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, chegando a posar para fotos sorridentes com o presidente mais impopular da história. No mesmo momento, em várias partes do país, ocorriam protestos e paralisações contra a orientação de cancelamento da Greve Geral dada por essas cúpulas.

A CUT nega que tenha havido negociação com o governo, mas não a liberação dos R$ 500 milhões. Para a entidade, “esse dinheiro pertence a CUT e demais centrais“.

Nesta mesma quinta-feira, a partir da iniciativa de sindicatos como o dos Metroviários de São Paulo, foi realizada uma reunião em sua sede com o objetivo de preparar uma proposta para outra reunião que ocorre amanhã entre as direções das centrais.

A reunião desta quinta aprovou levar a proposta de Greve Geral no próximo dia 12, assim como uma ampla campanha de rádio, carros de som nas ruas, e ações unificadas para convocá-la.

Greve Geral
A notícia da liberação desses R$ 500 milhões às direções das maiores centrais traz ainda mais questionamento e desconfiança, reafirmando a necessidade da preparação da Greve Geral por baixo, com ou sem essas direções.

Se essa informação estiver correta, é bom as centrais sindicais que fizeram esta negociação tratarem de construir a maior mobilização que este país já viu e impedir a aprovação da reforma da Previdência.  Senão estaremos diante de uma simples operação de compra e venda.  E todos sabemos o que teria sido comprado, e vendido“, afirmou Zé Maria, presidente nacional do PSTU.

O membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha declara que “a CSP-Conlutas ignora esta negociação, e se esta notícia for verdadeira, as centrais sindicais envolvidas, em meio a um momento onde o balcão de negócios do governo Temer está correndo solto, têm obrigação de esclarecer e impedir a votação da reforma da Previdência, parando o país em uma grande Greve Geral em defesa da aposentadoria”.