Nos EUA, milhares marcham contra a violência policial


Foto: Revolution News

 
Milhares de pessoas marcharam pelas ruas da capital norte-americana, Washington, no sábado, 13, em repúdio à violência policial contra a população negra. A marcha percorreu a avenida que fica entre o Capitólio (o congresso de lá) e a Casa Branca, e teve a presença da família de Eric Garner, estrangulado pela polícia de Nova Iorque enquanto gritava “Não consigo respirar” por pelo menos 11 vezes. As últimas palavras de Garner (“I can’t breathe”) tornaram-se um slogan dos protestos.
 
Com faixas e cartazes, os manifestantes gritavam: “As vidas negras importam” (“Black lives matter”).  As famílias de Akai Gurley (baleado por um policial em novembro em Nova Iorque), Trayvon Martin (assassinado por um segurança em fevereiro de 2012 na Flórida) e Michael Brown, este último cuja morte fez explodir as manifestações em Ferguson, também estiveram presentes. A onda de protestos se espalha pelo país. Grandes protestos ocorreram ainda em Nova Iorque, Califórnia, Flórida, São Francisco, Los Angeles, entre outros estados.
 
Esses nomes guardam uma triste coincidência: são todos negros assassinados por policiais brancos nos EUA. A impunidade é outra marca registrada da violência policial contra os negros. Recentemente, a Justiça norte-americana decidiu não indiciar os policiais que mataram Brown e Garner, expondo o caráter racista da Justiça e da polícia no país.
 
O argumento comum pra não indiciar os policiais foi que as vítimas não obedeceram ao comando da polícia ou se envolveram em confronto físico com os policiais. Pura falácia, já que várias testemunhas afirmam que Mike Brown foi alvejado com as mãos para cima, um gesto que também se tornou um símbolo contra essa onda de assassinatos racistas.
 
“A mensagem por trás dessas decisões é clara: se você é negro e desafiar a autoridade policial, se recusar a obedecer suas ordens, ou pior, entrar em luta física com ele, você será baleado, massacrado e, com isso, será considerado que ele está apenas fazendo o seu trabalho”, afirma nota da La Voz de Los Trabajadores, seção da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI) nos EUA. Segundo La Voz, esses os casos, longe de serem expressões individuais de racismo, têm “causas estruturais”, pois a polícia norte-americana está se tornando cada vez mais brutal e mais racista, parte de “um sistema legal que permite, incentiva e justifica os crimes cometidos por policiais contra a classe trabalhadora e suas comunidades”.
 
O governo de Obama, por sua vez, nada faz para acabar com a verdadeira epidemia de assassinatos racistas pela polícia. Pelo contrário, suas preocupações se voltam para apaziguar os protestos. As manifestações, cada vez maiores e mais radicalizadas, mostram, no entanto, que a paciência do povo negro está terminando.