No Sul Fluminense, mineiros lutam contra o arrocho e metalúrgicos conquistam reajuste

Peugeot trata movimento com truculência e demite vice-presidente da CipaSeguindo a dinâmica de protesto dos trabalhadores da região Sul Fluminense, os metalúrgicos da CSN em Volta Redonda (RJ) repudiaram nesse dia 20 de maio, com uma votação expressiva de 90%, a proposta da empresa de reajustar os salários em apenas 7,89%.

Como parte da afronta, a CSN ofereceu ridículos aumentos de R$ 30 no cartão-alimentação e R$ 20 no auxílio-creche. Essa proposta foi encarada pela classe como absurda, pois a CSN acaba de divulgar dados de seu balanço de 2010 em que mostra um crescimento de 71% no seu lucro bruto, ou seja, R$ 6,8 bi.

Exemplo de resistência em Congonhas-MG
O impacto de duas fortes paralisações dos trabalhadores da mineração (Casa de Pedra-MG), base da CSN, animou os trabalhadores de Volta Redonda, que comentam no interior da siderúrgica a necessidade de seguir o exemplo dos mineiros e unificar as lutas. Naquela região, o sindicato é dirigido pela CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular – Coordenação Nacional de Luta) e vem travando uma grande batalha contra a empresa.

Infelizmente, o sindicato de Volta Redonda (que até pouco tempo era base da CTB e se filiou à revelia dos trabalhadores à Força Sindical), até o momento não acenou com a proposta da unificação das lutas, fato que enfraqueceria a estratégia do dono da CSN, o empresário Benjamin Steinbruch, de isolar o movimento. Outro equívoco da entidade sindical é não ter índice de reivindicação e teimar em “sensibilizar” a CSN pelo diálogo.

A oposição metalúrgica do Sul Fluminense, ligada à CSP-Conlutas, está presente nos portões da Companhia exigindo que o sindicato unifique as lutas e prepare as condições para categoria entrar em greve.

Peugeot ataca trabalhadores
Já a campanha salarial 2011 dos metalúrgicos da PSA Peugeot Citroen em Porto Real, deixou a multinacional francesa de cabelo em pé.

Numa grande virada de mesa, os trabalhadores votaram três vezes contra a proposta de reajuste da empresa, impondo uma dura derrota no arrocho salarial que amargavam por anos. Foi a primeira vez que isso ocorreu.

Com sua luta independente organizada a partir do chão da fábrica, os operários arrancaram 8,43% de reajuste; R$ 5,5 mil de PLR e um plano de cargos que concede 21,4% de aumento para a grande maioria dos operários operadores (cerca de 70% dos trabalhadores da produção).

Havia uma clara disposição de à greve e arrancar mais ganhos da Peugeot. Infelizmente, a direção do sindicato foi um dos principais entraves para esse avanço. Mesmo assim, o sentimento presente entre os trabalhadores foi de vitória.

No dia seguinte ao fechamento do acordo, porém, a empresa tratou covardemente de demitir 25 operários (até essa data), dentre eles o vice-presidente da CIPA (que possui estabilidade por lei), Wagner Silva, numa verdadeira “caça as bruxas”.

Imediatamente, DRT de Volta Redonda foi acionada para intervir no caso e reverter essa agressão. Ao mesmo tempo em que iniciamos uma campanha de solidariedade em todo o país, exigindo da empresa que reintegre todos os demitidos. Cobramos também do sindicato a incorporação imediata nessa luta, ajudando a desmascarar a prática antidemocrática e anti-sindical da Peugeot, que arranca nossas riquezas com baixo salário, condições de trabalho precários e deixa para trás pais de família desempregados em solo brasileiro.