No capitalismo, causas são estruturais

No sistema capitalista não há como acabar com o desemprego. Essa é a mais grave questão social do momento, e os governos, sejam de direita ou da esquerda reformista, só conseguem agravá-lo.

Em sua versão neoliberal, o capitalismo incorporou as novas tecnologias — em particular com a utilização generalizada de computadores — e implantou a reestruturação produtiva, com novas formas de organização do trabalho, aumentando a produtividade. Ou seja, produzir mais em menos tempo e com menos custos.
Os avanços tecnológicos, que deveriam servir para a melhoria da qualidade de vida da humanidade, não o fazem. Ao contrário, se traduzem em aumento dos lucros para os donos das grandes empresas, maior produtividade dos empregados e aumento do desemprego.

Isso pode ser visto de forma dramática em duas categorias no país: bancários e metalúrgicos. Em 1980, existiam quase um milhão de bancários no Brasil. Atualmente, os caixas automáticos se incorporaram na experiência cotidiana da população e o número de bancários caiu para 350 mil. Em 1989, 118 mil metalúrgicos produziam 1,013 milhão de automóveis. Hoje, 54 mil trabalhadores produzem 1,7 milhão de carros.

O controle imperialista dos mercados

Outro fator qualitativo para o crescimento do desemprego é o controle imperialista. Com a penetração das grandes empresas multinacionais, através da abertura dos mercados, muitas empresas nacionais pedem falência, por não ter condições de competir com as gigantes transnacionais. Já foram destruídas, por exemplo, as indústrias de computadores; afetado o setor de autopeças, que teve dezenas de fábricas fechadas nos últimos anos, e setores de serviços. Quem não viu as mercearias de bairros fecharem com a chegada do Carrefour ou do Wal Mart? O fechamento dessas empresas obrigou milhares de trabalhadores a entrarem para a estatística do desemprego.

Caso a Alca seja implantada, a situação se agravará ainda mais. O objetivo dos EUA é ampliar seu mercado exportador, explorando o mercado interno dos países latino-americanos. Se isso ocorrer, ou venderão seus produtos concorrendo com a indústria local, ou implantarão em empresas automati-zadas que não geram empregos.
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