No 1º de abril, dizer a verdade

Lula foi eleito pela esperança de mudança dos trabalhadores. Dezenas de anos aguardando uma mudança global no país em relação à exploração, à injustiça e à corrupção se canalizaram para a eleição de Lula. A experiência do primeiro mandato baixou as expectativas. A crise de 2005 mostrou que a corrupção do PT era a mesma do PSDB. O país continuou sendo o paraíso dos banqueiros e das multinacionais. A Justiça e a polícia seguiram atacando os trabalhadores e protegendo os patrões, mesmo que abertamente corruptos e criminosos.

Mas a figura de Lula e o crescimento econômico mantiveram a popularidade do governo, trazendo a reeleição e o segundo mandato. As pequenas migalhas do crescimento econômico foram entendidas pelos trabalhadores como a mostra de que Lula “se preocupa com o povo”.

No fundo de tudo está uma mentira, um engano. Os trabalhadores pensam que Lula governa para eles, quando governa para os ricos, para a grande burguesia, os grandes industriais e banqueiros.

Para os trabalhadores sobram os pequenos reajustes do salário mínimo, enquanto os banqueiros têm aumentos históricos em seus lucros, que já eram gigantescos no governo de FHC. O povo pobre se endivida brutalmente com o crédito consignado para comprar uma geladeira, um fogão, enquanto os burgueses vão para o trabalho de helicóptero e gastam dez, vinte salários mínimos para comprar um vestido, um terno.

Lula fala que vai acabar com a sede dos nordestinos com a transposição do rio São Francisco, quando vai é canalizar bilhões e bilhões para os cofres das construtoras e do agronegócio. O governo apóia a GM que fala em “mais empregos” quando quer, na verdade, rebaixar os salários dos trabalhadores.

O apoio ainda majoritário dos trabalhadores ao governo está sustentado no engano e na mentira. Felizmente mais e setores identificam isso. Todo um setor popular da igreja católica está se enfrentando abertamente com Lula depois da greve de fome de Dom Cappio contra a transposição do São Francisco, ignorada pelo governo.

No 1° de abril, a Conlutas, junto com esse setor da igreja e outras correntes, vai realizar um dia de mobilização contra as mentiras deste governo. Vamos unir os sindicatos, as entidades do movimento popular e estudantil em todo o país para dizer a verdade aos trabalhadores. Entre em contato com a Conlutas em seu estado para unir-se ao protesto.

Post author Editorial do Opinião Socialista nº 332
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