Nívea Araújo, mais uma vítima do machismo

Somos todos Nívia! Chega de violência contra à mulher!

O funcionário terceirizado da Petrobras Leonardo Carvalho de Oliveira, 25 anos, se entregou na noite de sábado, 4, por volta de 21h10, na 73ª DP, em São Gonçalo. Ele estava sendo procurado pela polícia por suspeita de jogar a ex-namorada, a estudante de direito Nívia Araújo, 24 anos, do terraço da casa dela, no Rocha.
 
O caso ganhou repercussão na mídia e chocou não só os moradores de São Gonçalo, mas todo o país. Mais uma vez, uma mulher é brutalmente agredida até a morte no Brasil. Depois de passar o Réveillon com um grupo de amigas, Nívia fora surpreendida em sua própria casa pelo ex-namorado, que não aceitava o fim do relacionamento. Leonardo arrombou a porta e, depois de quebrar todo o quarto da jovem, a jogou do terraço.
 
A jovem, que sofreu traumatismo craniano, fraturas nos braços, pernas e coluna e perfuração do pulmão, foi socorrida pelos bombeiros e levada ao Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, mas a gravidade das lesões impediu qualquer chance de sua vida ser salva. Na tarde de sexta-feira, Nívia teve morte cerebral decretada pelos médicos.
 
Leonardo, que já carrega denúncias anteriores por agressão e ameaças a outras mulheres, agora alega, através de seus advogados, que a jovem teria caído sozinha do terraço.
 
A sociedade não pode mais tolerar este tipo de brutalidade contra a mulher. Elisa, Eloá, Nívia… elas e tantas outras anônimas são assassinadas diariamente no Brasil. Não podemos nos calar: é preciso exigir a prisão imediata do agressor. Leonardo não pode responder em liberdade. Pessoas como ele são uma ameaça real às mulheres e à sociedade como um todo.
 
Mas não pode ser só isso. A Lei Maria da Penha foi uma grande vitória do movimento feminista brasileiro, mas ainda é insuficiente para garantir que casos como este não se repitam. Faltam casas abrigo para mulheres agredidas que dependam financeiramente do agressor e seus filhos. Faltam delegacias especializadas e centros de atendimento às vítimas de agressão machista.
 
Enfim, muita luta ainda precisa ser travada para que não vejamos mais Nívias, Elisas e Eloás morrendo todos os dias em nossa cidade e em nosso país. O PSTU se solidariza com a família de Nívea. A melhor forma de homenagear a estudante é mantendo-se firme na luta contra o machismo, que mata milhares de mulheres todos os anos e ataca toda a classe trabalhadora.
 
 
– Justiça para Nívea Araújo! Prisão imediata para Leonardo!
– Chega de violência contra a mulher: mulher não é propriedade, relacionamento não é algema!
– Chega de machismo: Salário igual para trabalho igual, direitos iguais para todas e todos!
– Ampliação e aplicação das verbas da Lei Maria da Penha! Construção de casas-abrigo e Delegacias da Mulher já!
– Não ao Estatuto do Nascituro! Não à “bolsa-estupro” de Marco Feliciano!
 
 
 
 
*Rosa Russo faz parte da Secretaria de Mulheres do PSTU de São Gonçalo e Itaboraí