Não existe saída para a corrupção no capitalismo

A democracia que existe é uma forma de Estado burguês. Todos os Estados são ditaduras de uma classe sobre as outras. Essa “democracia” não passa, na verdade, de uma ditadura, apesar de formalmente existirem eleições a cada dois anos. Como a burguesia controla as eleições, sempre vence, independente do candidato eleito. Basta ver que a maioria da população votou em Lula para mudar a política econômica do país, e Lula seguiu com o mesmíssimo plano neoliberal. Agora, a maioria absoluta está contra a corrupção, mas a corrupção vai continuar.

Toda ditadura de uma minoria (na atualidade a burguesia é ultraminoritária na sociedade) sobre uma maioria é corrupta, porque coloca essa minoria sob o controle do Estado. Inevitavelmente essa minoria vai utilizar-se do aparato de Estado para seu próprio benefício.

As grandes empresas, expressão do capitalismo atual, são as maiores corruptoras do mundo, exatamente por manter laços estreitos com o Estado, para se beneficiar de contratos, encomendas, financiamentos, privatizações, etc. Corrompem os partidos, os funcionários graduados, os governantes e os parlamentares. Toda democracia burguesa é, portanto, corrupta. Isto iguala o governo Lula, como FHC e Collor.

Algumas pessoas, sabedoras que a democracia burguesa é corrupta, defendem a ditadura militar. Grande engano, uma ditadura é outra forma de Estado burguês, e as ditaduras militares são ainda mais corruptas que as democracias, porque impedem a divulgação das maracutaias. No Brasil, o ministro dos Transportes da ditadura, Mario Andreazza, era acusado de receber 10% de todas as grandes obras como a ponte Rio–Niterói ou a Transamazônica.

Uma parte importante da classe média brasileira critica a corrupção no Brasil, mas aponta como modelo os países imperialistas. Outro engano. Todos os governos imperialistas são corruptos, e o mais importante deles, o de Bush, é um dos maiores corruptos do planeta. Tanto assim que fez uma guerra para assegurar os lucros das empresas ligadas a seu grupo. Basta ver os escândalos de favorecimento das empresas do vice-presidente Chenney na “reconstrução” do Iraque.

Acabar com o capitalismo e com o Estado burguês
Nosso programa começa pela apuração implacável da corrupção. Por isso, estamos a favor da CPI, mas achamos que é fundamental que exista uma investigação independente do governo e do Congresso, já que este Congresso de picaretas não vai levar a investigação até o fim. É preciso uma investigação que se apóie nos trabalhadores de estatais como os Correios, a Previdência, além de advogados, jornalistas etc.

Defendemos a prisão e o confisco dos bens tanto de corruptos como de corruptores. Não nos limitamos a defender a punição dos corruptos, porque as grandes empresas, as maiores corruptoras, seguirão corrompendo impunemente.

É evidente que essas medidas são parciais, porque não existe saída para acabar com a corrupção no capitalismo. A falência da “ética na política” do PT já demonstrou que não serve tentar acabar com a corrupção mantendo a exploração capitalista e o Estado burguês.

É preciso acabar com o capitalismo e com esse tipo de Estado. É preciso um novo Estado, controlado pela maioria da população, uma nova democracia que seja operária. Esse novo Estado, ao funcionar em bases verdadeiramente democráticas, por expressar a maioria dos trabalhadores do país, e não a minoria burguesa, poderá acabar com a corrupção. Esse Estado deve funcionar com normas e funcionários que sejam eleitos com mandatos revogáveis a qualquer momento, e tenham salários iguais aos de um operário.
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