Nada a comemorar

O PT está comemorando 25 anos de existência. Quem deve cantar parabéns e soprar as velinhas são os banqueiros e o FMI. Nascido como um partido dos trabalhadores, o PT aos 25 anos já morreu como um instrumento de defesa dos interesses imediatos e históricos dos trabalhadores. O PT é hoje um ponto de apoio fundamental da ordem burguesa, e para se lutar pelo socialismo é necessário lutar contra esse partido e o seu governo.

O PT festeja o crescimento econômico. Ao menos, a economia está crescendo. Aliás, da mesma maneira que em todos os países capitalistas (sejam eles governados pela direita ou pela “esquerda”), em função do crescimento cíclico da economia internacional. Nem os empregos e nem os salários, no entanto, estão subindo. Só os lucros das empresas e dos bancos crescem junto com a alegria dos dirigentes petistas.

Quando fechávamos esta edição, o PT preparava-se para festejar também a eleição de Luiz Eduardo Greenhalg para a Presidência da Câmara. Caso se confirme, será uma vitória conseguida através de liberação de verbas, cessão de cargos e compromissos subterrâneos com os partidos de direita. Os mesmos vícios antes combatidos pelo PT.
Na semana de seu aniversário, o PT pôde festejar também a assinatura da Lei de Falências, antiga reivindicação do FMI, para privilegiar os bancos quando uma empresa falir. Pôde comemorar também a assinatura das PPPs, que vai proporcionar às multinacionais o acesso à infra-estrutura do país. Quem sabe também nos círculos ao redor do presidente, se comemore o elogio feito por Condoleeza Rice à intervenção militar brasileira no Haiti.

A reforma agrária está paralisada, com um número ainda menor de assentamentos que no governo FHC, e um número ainda maior de mortes no campo, como o assassinato da freira norte-americana Dorothy Stang.

Há uma semana Stang afirmou ao ministro Nilmário Miranda estar sendo ameaçada de morte pelos fazendeiros da região e pediu proteção. Como sempre o governo fez promessas vazias, desmentidas pelos 6 tiros que tiraram a vida da freira. A verdade foi falada por Greenhalgh, ao negociar apoio à sua candidatura com a “bancada ruralista”, no mesmo dia em que Stang era velada no Pará. Não hesitou em proclamar aos latifundiários do Congresso que é contra invasões de terra, dizendo que o agronegócio é importante para o “desenvolvimento” do país.

Quem não pode estar comemorando são os setores de esquerda petistas, que continuam no partido. Ao seguir nesse caminho, cumprem o lamentável papel de dar uma cobertura, uma esperança de mudança de rumos para um partido que já está morto para a Revolução aos 25 anos de idade. Aos socialistas que aí seguem, queremos reiterar nosso chamado: rompam com o PT, venham conosco construir um partido de esquerda, de luta e socialista.

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