Na UNB, um setor do MTS divide lutadores e entrega sindicato à direita

No dia 27 de novembro encerraram-se as eleições para o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de Brasília (Sintfub). Participaram três chapas: a chapa 1 (formada pela Articulação, Tribo e PPS e apoiada pela reitoria e pelo governo federal), a chapa 2 (atual diretoria, formada pelos militantes do PSTU e independentes) e chapa 3 (formada pelo grupo Socialismo e Liberdade e independentes).

A chapa 1 venceu as eleições, com apenas 15 votos de diferença. A chapa 1 obteve 443 votos, a chapa 2 teve 428 e a chapa 3, 183 votos. Destes, 123 foram no Hospital Universitário, que reunia metade dos membros desta última chapa.

As eleições foram extremamente polarizadas entre as chapas 1 e 2, sendo vencidas pela Articulação, que contou com o apoio e a intimidação da reitoria. Em alguns setores, a diretoria reuniu os funcionários e comunicou que havia se comprometido com a reitoria que votariam unidas na chapa 1 e ameaçou modificar os horários de trabalho.

Apesar de tudo isso, a chapa 2 perdeu por uma diferença de apenas 15 votos. O que permitiu essa derrota foi a chapa 3, que dividiu o MTS e a vanguarda que dirigiu a greve contra a reforma da Previdência. Centrou suas críticas à direção do sindicato, sem apontar o verdadeiro culpado pelo arrocho que vive a categoria: o governo Lula.

Centrando sua campanha nas críticas à atual direção do sindicato, poupando a chapa 1 e fazendo, na Comissão Eleitoral, unidade contra a chapa 2, facilitou o jogo da Articulação, dando a vitória à reitoria e ao governo. Por isso, parte importante da vanguarda diz que quem ganhou as eleições foi a chapa 13 (unidade da chapa 1, governista, e da chapa 3, do Socialismo e Liberdade).

Os companheiros da chapa 2 não saem desmoralizados. Ao contrário, têm consciência de que enfrentaram imensos aparatos, ligados ao governo e à reitoria. Saem com um capital acumulado de anos de lutas, por manter o sindicato independente da reitoria e contra as reformas neoliberais. Na oposição, serão a única alternativa de luta da categoria.
Post author Antonio Guilen, de Brasília (DF)
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