Na Bahia, CUT e CTB dão as costas para os mais atacados pela crise

O dia 30 de março foi marcado por atos, mobilizações e bloqueios de ruas e estradas em todo o país. Esse dia de luta foi a primeira resposta unificada entre as centrais sindicais contra os ataques dos patrões.

Na Bahia, numa reunião entre CUT, CTB, Conlutas e UGT ficou decidida a realização de atos na região metropolitana, onde fica concentrada a maioria das fábricas que estão demitindo, e no centro de Salvador, com os estudantes. Após essa reunião, aconteceu uma plenária unificada das centrais e seus sindicatos onde o calendário foi reafirmado.

Na região metropolitana de Salvador, estão as duas principais cidades industriais que já estão sentindo as consequências da crise: Camaçari e Simões Filho. A idéia de o ato ser um bloqueio da BR-324 e da Via Parafuso era justamente para unificar os operários dessas cidades, e também os de Salvador, para alertá-los sobre os impactos da crise e preparar a resistência.

Os motivos para fazer atos na região metropolitana são muitos. Em primeiro lugar, é onde se concentra o setor industrial da Bahia. Quando realizamos atos como a interrupção das estradas que dão acesso ao pólo industrial de Camaçari, entramos em contato com aproximadamente, dez mil metalúrgicos, petroleiros, trabalhadores da construção civil, borracheiros, químicos etc. É onde os patrões estão mais atacando, com demissões em todas as categorias. Além disso, duas das principais categorias da região, petroleiros e construção civil, saíram de grandes processos de greve na semana passada.

Os bloqueios estavam marcados para as 5h da manhã e simplesmente a CUT e a CTB. A CUT dirige os sindicatos de petroleiros, químicos e construção civil de Camaçari. A CTB, metalúrgicos, borracheiros e setor de bebidas.

Nas bases da CUT e da CTB os trabalhadores estão abandonados
Dois exemplos que retratam a forma como CUT, CTB e seus sindicatos estão deixando suas bases à própria sorte foi a traição ao ato do dia 30. O sindicato dos petroleiros, após fazer um acordo rebaixado com a Petrobras e acabar com a greve, se negou a ir até a porta das refinarias, como a Relam, no dia 30, e fazer uma agitação.

A CTB, por sua vez, não teve a coragem de ir à porta da Ford para denunciar a crise econômica e os ataques que os patrões já estão fazendo, como o plano de demissões para 1.500 trabalhadores, apresentado no dia 27 de março pela empresa. Na Bahia, até o último mês, segundo o jornal Tribuna da Bahia, 2 mil metalúrgicos foram demitidos. A Britânia eletrodomésticos fechou, demitindo 370 trabalhadores. A Vale já anunciou que vai seguir o mesmo caminho.

Conlutas e PSTU fizeram ato com a classe operária
A Conlutas levou cerca de 40 pessoas para Camaçari para o ato que tinha sido combinado com as centrais. Ao saber que CUT e CTB não apareceriam, a central decidiu ir para o Pólo Petroquímico. Lá, agitou bandeiras e entregou panfletos.

Representantes dos trabalhadores falaram nos ônibus e na porta das fábricas, alertando os operários sobre as consequências da crise e chamando a resistir, exigindo de Lula a reestatização da Embraer e uma medida provisória que garanta a estabilidade no emprego.

À tarde o PSTU foi para porta da FORD distribuir o panfleto do partido e marcar um dia de luta na montadora contra as demissões anunciadas.

A unidade das centrais e dos sindicatos é uma necessidade
Mesmo com essa traição da CUT e da CTB na Bahia, a unidade entre as centrais é uma necessidade para fortalecer a resposta dos trabalhadores aos impactos da crise, principalmente às demissões já realizadas e as que já foram anunciadas, como na Ford. É preciso que a CUT e a CTB revejam esse posicionamento que só beneficia aos patrões e construam um dia de paralisações nas empresas contra as demissões.

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