Na assembléia, metalúrgicos comemoram derrota do banco de horas na GM

O clima na assembléia era de alegria e de vitória
Tanda Melo

“Primeira coisa: queremos dizer que derrotamos o banco de horas”. Com essa fala, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, Adilson dos Santos, o Índio, deu início, nesta quinta-feira, 19, à assembléia histórica que selou a vitória dos trabalhadores sobre a tentativa de flexibilização dos direitos que a General Motors tentava impor.

Apreensivos, milhares de metalúrgicos se reuniram no pátio da entrada da montadora, no setor S10. O clima era de expectativa, já que era esperado o desfecho de seis meses de uma dura luta. A negociação, que se estendeu durante todo o dia 18, terminou às 3h da madrugada. Marcou o recuo da empresa em relação ao banco de horas e à tentativa de impor uma nova grade salarial.

No pátio, um setor dos trabalhadores, concentrado no setor de gerência e com o apoio da CUT e da direção da empresa, levou faixas como “Flexibilização = mais empregos” e “Sou mais GM, sou mais São José”. Trata-se de um setor que defendia, no interior da fábrica, a proposta de banco de horas. Mas nenhuma flexibilização estava em votação, muito menos o banco de horas.

Na manhã do dia 18, poucas horas antes do início da nova rodada de negociação, a empresa parou a produção e, junto com esse setor liderado pela CUT, tentou realizar uma assembléia exigindo que o sindicato convocasse “assembléia já”, a fim de aprovar a proposta inicial da GM. Vários operários ficaram indignados ao descobrir que o caminhão de som que estava estacionado no pátio não era do sindicato. Mas todo o dia de negociação mostrou que abrir mão de direitos não é o melhor caminho, como queria a CUT.

Tal movimento era tão somente expressão da campanha que dividiu São José dos Campos, mas que não foi capaz de impor o banco de horas aos metalúrgicos. A proposta apresentada pela direção da montadora na mesa de negociação foi de contratar os 600 empregados com o piso vigente segundo o Acordo Coletivo da categoria e sem banco de horas.

“Essa proposta é fruto da mobilização dos trabalhadores e da posição do sindicato de defesa dos direitos dos metalúrgicos”, afirmou Índio. Ele lembrou os meses de campanha brutal realizada pela burguesia da cidade aliada à câmara municipal e à igreja, contra os metalúrgicos e o sindicato. No entanto, a luta dos trabalhadores mostrou o que queriam fazer parecer impossível: derrotar a flexibilização.

O diretor do sindicato, Vivaldo Moreira, recentemente suspenso pela empresa devido à mobilização contra os ataques, lembrou que “se aceitássemos a nova grade salarial e o banco de horas, certamente a empresa ia pedir outra coisa depois. Com determinação e através da luta, derrotamos o banco de horas”.

Os metalúrgicos aprovaram por unanimidade a proposta. “Ainda que não seja a melhor proposta, nós derrotamos o banco de horas. Essa vitória mostra para os trabalhadores que é possível derrotar os ataques”, disse Luiz Carlos Prates, o Mancha, diretor do sindicato.

Ao final da assembléia, diretores, ativistas e metalúrgicos comemoravam e se abraçavam. Os metalúrgicos de São José dos Campos transformaram-se num exemplo nacional e internacional de luta.

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