Mulheres de ocupações urbanas e rurais se reúnem no encontro

Mulher nos Movimentos Sociais/ Mulher no Campo

Os moradores de ocupações no campo e na cidade representam parte significativa da classe trabalhadora. O grupo de discussão sobre o tema, na tarde do sábado, dia 20 de abril, discutiu a importância de conscientizar esse setor e trazê-lo para a luta, partindo da compreensão de que, na luta para superar o capitalismo, não se deve contar apenas com as organizações tradicionais dos trabalhadores, como os sindicatos.

Havia representantes de sem-teto de São José dos Campos (SP), dos sem-terra do MPRA (Movimento Popular pela Reforma Agrária) e de Campo Florido (MG), da ocupação Solano Alves e do assentamento 17 de Maio, da Baixada Fluminense, no Rio.
Ativistas sindicais de SC, SP, MG, PR e PE também participaram.

A companheira Valdirene contou a experiência das mulheres na ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos. Segundo ela, cerca de 70% dos moradores são mulheres, a maioria chefes de família – seja porque criam seus filhos sozinhas, seja porque seus maridos estão desempregados.

Mas, mesmo com tantas mulheres, as dificuldades para convencê-las a lutar são grandes. A causa são os vários problemas com os filhos, o marido e o trabalho. A postura da direção da ocupação ajuda a ganhar a confiança dessas mulheres. De acordo com Valdirene, os homens que agridem suas companheiras são expulsos do Pinheirinho, sem exceção.

Outro assunto abordado no grupo foi o machismo no campo. Em muitos casos, a mulher é vista como mero complemento ao trabalho pesado do homem do campo. Muitas ativistas reafirmaram a importância das mulheres nas ocupações e lembraram que elas são maioria na maior parte das ocupações, desde o seu início.

A questão da mulher idosa nas ocupações também foi lembrada. Marginalizada da sociedade, ela muitas vezes não consegue sequer se aposentar. Também se debateu a dificuldade de a mulher sem-terra e camponesa para colocar seus filhos na escola e cuidar de sua saúde.