Metalúrgicos de São José dos Campos aprovam estado de greve

Na manhã de sábado, os metalúrgicos de São José dos Campos e região lotaram o salão do sindicato para mais uma assembleia da campanha salarial. Agora com uma grande tarefa: intensificar a luta contra os patrões.

Vivaldo Moreira, presidente do sindicato, deu início à assembleia ressaltando a importância da luta pelas cláusulas sociais. Ele lembrou que foi por conta das cláusulas que a entidade rompeu com a federação metalúrgica da CUT, em 1997, quando estes entregavam direitos sociais, como as cláusulas que garantiam estabilidade a acidentados e lesionados. Neste ano, foram discutidas cerca de 150 cláusulas sociais.

Ele ressaltou o papel do governo Lula e de seus parceiros, que chegaram a dizer que esse ano, não é ano de lutas por reajuste salarial por causa da crise. Os patrões estão seguindo as palavras do presidente. Para ele, a ampla maioria de trabalhadores e trabalhadoras deste país depositou em Lula a esperança de uma possível mudança a nosso favor. O governo, no entanto, faz o oposto: está ao lado dos patrões.

Na assembleia, também estavam presentes aposentados, que lembraram o acordo que a Força Sindical e a CUT fizeram com o governo para lesar ainda mais a aposentadoria e os trabalhadores que ainda vão se aposentar.

Os metalúrgicos que falaram destacaram o aumento da produtividade no último período e o aumento do ritmo de trabalho nas linhas de produção. A morte do operário Aparecido, da GM, que faleceu num acidente de trabalho quando fazia hora-extra no sábado, foi lembrada.

Após as falas dos operários, foi apresentada a proposta da patronal da última reunião de negociação, ocorrida no dia 11. Depois de 12 horas de negociação em São Paulo, o Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) propôs 4,4% de reajuste, equivalente ao INPC, mais aumento real de 1,5% e abono de R$ 1 mil.

Outros setores metalúrgicos também receberam propostas rebaixadas nas negociações. Os grupos patronais de autopeças, eletroeletrônicos e fundição ofereceram apenas reposição da inflação. O setor de fundição incluiu abono de R$ 200. A proposta foi rejeitada na própria mesa de negociação pelos Sindicatos de São José dos Campos, Campinas, Limeira e Santos, que formam o bloco unificado do interior, e foi entregue aviso de greve.

Operários querem mais
A proposta da patronal foi rejeita pelos operários de braços erguidos e firmes, demonstrando a indignação dos presentes com a proposta rebaixada. Em outra votação, foi aprovado por unanimidade o estado de greve para toda a categoria a partir da segunda-feira, 14. A mobilização vai ser a resposta à proposta apresentada pela patronal nas últimas negociações.

Os trabalhadores ainda aprovaram o início das paralisações em todos os setores. O resultado será levado à categoria nas portas das fábricas a partir de segunda-feira. A assembleia também aprovou estado de greve na Embraer para que a data-base do setor aeronáutico seja unificada com toda a categoria metalúrgica no mês de setembro. Para dividir a categoria, a Embraer considera novembro como data-base.

Lucros altos
Os patrões estão lucrando muito com as garantias que o governo concedeu. A redução de impostos e tarifas, como a redução do IPI, levaram a um número recorde de vendas de veículos e outros produtos no último semestre. As montadoras estão batendo recordes de produção. No entanto, na campanha salarial, tanto a patronal quanto o governo viraram as costas para os trabalhadores e não garantem estabilidade no emprego nem aumento de salário digno.

Para os patrões, lucro e redução de impostos. Para os trabalhadores, demissões e aumento do ritmo de trabalho. O aumento da exploração foi à marca nas fábricas no último período. É por isso que a categoria reivindica 14,65% de reajuste (8,53% de aumento real mais o INPC), redução da jornada para 36 horas sem redução de salários e sem banco de horas, estabilidade no emprego por, pelo menos, dois anos e renovação e ampliação das cláusulas sociais.

Só o silêncio das máquinas e linhas de produção paradas vencerá a ganância dos patrões. Só a mobilização dos trabalhadores poderá garantir o devido respeito aos nossos direitos. O recado está dado: os próximos dias serão de greve.

Herbert Claros, é vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região