Metalúrgicos da Volks voltam ao trabalho em assembléia dividida

Depois de 25 dias de uma heróica greve, os metalúrgicos da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP) voltaram ao trabalho no último dia 24 de outubro, depois de uma assembléia dividida. Nela, o presidente do sindicato, José Lopes Feijó, filiado à CUT, afirmou que “o provável é que a greve seja julgada dia 3 de novembro. Isso porque o jurídico do nosso sindicato só irá entregar a defesa da greve hoje, dia 24, e a juíza levará mais três dias para dar um parecer. Desta forma, só quinta da outra semana é que será julgada a greve”. É lógico que, depois de 25 dias de greve, os trabalhadores não iriam esperar quase duas semanas por um parecer da Justiça.

A proposta imposta pelo sindicato já havia sido votada e rejeitada. Porém Feijó usou como argumento para reapresentá-la o fato de que vários trabalhadores teriam telefonado para os diretores pedindo que a questão fosse votada novamente. Feijó colocou em votação a proposta de retornar ao trabalho e aguardar o julgamento, ou manter a greve até ser julgada. Por 60% a 40%, os trabalhadores votaram pelo retorno ao trabalho. Era visível a indignação de muitos trabalhadores.

Greve passou por cima das direções
A greve foi iniciada contra a vontade do sindicato. A intenção inicial da direção era fazer algumas paralisações por setor. Entretanto, os dirigentes foram surpreendidos pela deliberação de greve por tempo indeterminado, paralisando todo complexo Volks no ABC, Taubaté, São Jose dos Pinhais e São Carlos.

O sindicato encaminhou as atividades da greve de forma bastante limitada. A direção se recusou a fazer atos de solidariedade, tendo uma política de isolamento. Essa postura gerou problemas para a organização da greve. A Volks entrou na Justiça exigindo que os dirigentes só possam ficar dentro da fábrica em seus turnos. Por causa disso, diversos dirigentes do sindicato e da oposição estão sendo intimados a prestar depoimentos na Justiça, apenas por organizarem a greve.

Apesar da importante luta pela PLR, a greve teve uma importância maior, que foi garantir os empregos dos metalúrgicos, já que o presidente da Volkswagen no país, Hans Christian, veio da África do Sul para o Brasil com a tarefa de derrotar os trabalhadores, chegando a declarar que não vai renovar o acordo de garantia de emprego dos trabalhadores de São Bernardo. Por isso, a greve foi também pela defesa dos empregos.

As primeiras vitórias
As outras unidades da Volks em Taubaté e em São Carlos, também aderiram à greve e obtiveram importantes conquistas. Em São Carlos, os 550 trabalhadores da unidade pararam suas atividades por oito dias e conseguiram uma PLR de R$ 3.600, um aumento de 33% em relação ao ano passado. Em Taubaté, os metalúrgicos pararam por quatro dias e conseguiram uma PLR de R$ 5.150 para a produção de 208 mil carros, quantidade que a unidade tem como produzir.