Metalúrgicos da Scania em greve: um exemplo a ser seguido, uma luta para vencer


Scania já fala oficialmente em demitir e reduzir os investimentos caso os trabalhadores não aceitem a proposta: a greve precisa de todo apoio dos movimentos sociais

Nesta segunda-feira, os metalúrgicos da Scania iniciaram uma greve que expressa a forte disposição de luta da classe trabalhadora e da juventude no país. A principal reivindicação é a manutenção do cálculo da PLR, feito por produto vendido, ou “percentual por unidade”, chamado de PU. A empresa fez uma proposta de acordo de três anos que muda esse cálculo.
 
A direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), ligado à CUT, queria aprovar a proposta, pois a considerou suficiente e queria evitar a greve. Mas a disposição dos trabalhadores é de lutar pela manutenção do PU, porque sabem que, com o acordo proposto, é só a empresa que vai sair ganhando.
 
Os trabalhadores expressaram isso na assembleia de sexta-feira, vaiando a direção do sindicato e gritando em coro a sua reivindicação: “PU! PU! PU!”. Uma grande demonstração de força da base, concluída com a rejeição da proposta de PLR e campanha salarial, e a deflagração da greve.
 
A verdade é que a grande disposição dos trabalhadores de ir à luta surpreendeu a empresa e também a direção do sindicato. Nem mesmo a ameaça de represália foi capaz de conter a mobilização. A empresa achou que intimidaria os metalúrgicos levando uma corja de 400 chefes para as assembleias e ameaçando com demissões. Erraram feio.
 
A nova geração da classe operária vai à luta
Na Scania, a maioria dos trabalhadores são jovens. Essa está sendo a primeira greve de muitos deles. Estão indo contra a enorme pressão ideológica existente que diz que não se deve lutar, pois a situação por aí é muito pior; que não se deve lutar, pois a empresa pode ir embora para outro lugar; ou, ainda, que não se deve lutar, senão a empresa vai demitir e contratar outros.
 
Estes jovens operários, junto aos mais velhos, estão demonstrando um grande descontentamento com a lógica de sindicalismo pregada pela CUT nos últimos anos, marcada por acordos que retiraram direitos e postos de trabalho. Tudo para salvar os lucros das empresas diante das ameaças de sair da região do ABC e para preservar o governo do PT, que está a serviço das grandes multinacionais. Isso fica evidente na desconfiança dos operários com relação à direção do sindicato, que vacilou o tempo todo.
 
Não é só pela PLR
Está claro, também, que não é simplesmente uma luta pela PLR. A empresa está batendo recordes de vendas, e os trabalhadores, indignados, sabem que é a hora de lutar pelos seus interesses. Ainda mais pelo alucinante ritmo de trabalho que está sendo imposto, arrebentando a saúde dos operários.
 
Há, ainda, uma grande revolta com o mecanismo de rotatividade existente na empresa, feito pela contratação de trabalhadores temporários (CTDs). A empresa propôs a efetivação de 85% destes nos próximos anos, mas os operários da Scania querem 100% de efetivação.
 
É uma luta que vem embalada pelas mobilizações massivas dos últimos meses, que se expressa no sentimento de que é possível lutar e vencer. É uma luta que também se choca com a política econômica aplicada pelo governo federal, que privilegia as empresas e rebaixa o direito dos trabalhadores.
 
Todo apoio à greve: é hora de unificar as lutas!
Neste momento, é preciso dar todo apoio à greve da Scania e amplificá-la. É um grande exemplo de disposição de luta a ser seguido, num momento em que várias categorias estão em campanha salarial.
 
Há 35 anos, em 1978, na mesma Scania, ocorreu uma histórica greve que foi o estopim de uma onda de mobilizações que enfrentou o regime militar. A greve de hoje também pode ajudar a potencializar novas mobilizações
 
É possível e necessário unificar as lutas dos metalúrgicos do ABC. Na Mercedes-Benz e na Volkswagen há ameaças de demissões, e o restante da categoria está em campanha salarial. O SMABC deve unificar as lutas e levar a greve pras ruas, pois com toda a disposição de luta existente o movimento pode crescer.
 
Não às retaliações!
A greve também deve incorporar a luta contra as retaliações. A Scania já está falando oficialmente em demitir e reduzir os investimentos caso os trabalhadores não aceitem a proposta. É também por isso que a greve precisa de todo apoio dos movimentos sociais.
 
 
– Não à chantagem da patronal!
– Em defesa do direito de greve!
– Pela incorporação da estabilidade no emprego na pauta da greve!