Mesmo sob ameaça, chapa eleita da CSP-Conlutas deixa seu recado no congresso fraudulento do SIMPERE

A CSP-Conlutas, recém eleita para assumir a nova gestão do SIMPERE em dezembro deste ano, é ameaçada e barrada no suposto Congresso da categoria, que teve a abertura solene nesta quarta-feira (23/11)Assim que chegaram ao local do evento, fora do município de Recife e de difícil acesso ao público, os diretores eleitos tentaram verificar a legitimidade da relação das atas das eleições para os delegados congressuais. Entretanto, Aurivânia Farias,da atual gestão do sindicato (CUT e CTB), não quis mostrar os documentos, afirmando que não eram informações públicas.

A nova direção do SIMPERE (Sindicato dos Professores da rede Municipal do Recife) se reuniu para discutir sobre o que fazer diante tamanha intransigência e decidiu se retirar do Congresso. Para eles, este Congresso não pode ser considerado legal sendo preciso denunciar o ocorrido na plenária, chamando os presentes a também se retirarem do local.

Para surpresa de todos, ao tentar entrar no Congresso, os seguranças contratados pelo sindicato barraram toda a nova diretoria do SIMPERE. Só após muita negociação junto à atual gestão do sindicato, todos puderam entrar no auditório e Simone Fontana, futura coordenadora geral do SIMPERE, pôde declarar ao plenário os motivos para não reconhecer o Congresso. Falta de divulgação, de transparência e de democracia foi o bastante para tomar esta decisão.

“O congresso da categoria é a instância máxima de deliberação da categoria e tem que ter o máximo de seriedade também porque ele vai definir a linha de atuação do sindicato para o próximo período, seu balanço e seu plano de luta”, explicou Simone em sua intervenção. “Nós, enquanto direção eleita, nos comprometemos a fazer um novo congresso. Queremos fazer sim um congresso onde todas as forças politicas que nele atuam possam ter voz e vez (…) nós estamos nos retirando porque esse é um congresso de papel e não serve para a categoria”, completa a professora.

Após a intervenção de Simone, outros professores e professoras perceberam as falcatruas que estavam acontecendo e decidiram também não legitimar o Congresso. Assim, cerca de 40 pessoas se retiraram do local, deixando a plenária ainda mais esvaziada, ficando apenas os prováveis 40 ou 50 delegados fraudados de uma categoria que tem mais de cinco mil trabalhadores.

O congresso deve seguir pelos próximos dois dias, mas a nova direção do SIMPERE que irá assumir no dia 1º de dezembro e a CSP-Conlutas já estão tomando as medidas judiciais e políticas necessárias. Uma forte campanha nacional de denúncia será realizada contra esses métodos antidemocráticos do PT (CUT) e PCdoB (CTB) no movimento sindical.