Mercedes-Benz ameaça parar produção de caminhões na planta de São Bernardo do Campo

Possibilidade de demissões em massa levou 7 mil metalúrgicos a participar de assembleia no último domingo

No último domingo, 15, cerca de 7 mil operários da montadora Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo (SP), realizaram assembleia para discutir a ameaça de demissão de milhares de trabalhadores. A empresa pretende transferir a produção de caminhões para a planta de Juiz de Fora (MG), o que causaria demissões em massa.

Na planta de São Bernardo, restaria a produção de chassis de ônibus, câmbios, motores e eixos. Embora a empresa não confirme oficialmente a informação, fontes ligadas à imprensa dizem que a direção da montadora discute o plano, pelo menos, desde 2011.

A multinacional alemã fez esta ameaça após receber vários incentivos do governo federal, de Dilma Rousseff (PT), sem nenhuma contrapartida, como a estabilidade no emprego, por exemplo. Ou seja, o governo federal garante a manutenção e/ou o aumento de lucros para multinacionais e deixa os trabalhadores sem nenhuma garantia, sujeitos à vontade e aos interesses da empresa, podendo ser descartados a qualquer momento.

Pesa, ainda, o fato de o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), filiado à CUT, ter feito uma série de concessões com o pretexto de garantir o emprego, o que não passa de palavras. A presença massiva dos trabalhadores da Mercedes na assembleia de domingo mostrou que existe disposição de luta. No entanto, é necessária uma proposta concreta para a ação, que aproveite as outras mobilizações que estão ocorrendo na categoria para unificar e fortalecer a luta dos trabalhadores da Mercedes.

Unificar as lutas é o caminho
Infelizmente, o Sindicato mantém, ainda, a postura de negociar acordos por empresas, não unificando as lutas. Os operários da Scania, por exemplo, entraram em greve nesta segunda-feira. Uma unidade desses com os trabalhadores da Mercedes significaria uma pressão muito maior sobre a patronal. Certamente, não é por ignorância que o sindicato mantém esta postura.

A pressão sobre o sindicato terá de vir dos próprios trabalhadores, exigindo a unificação. Os metalúrgicos da Scania provaram que é possível impor seus interesses ao obrigarem o sindicato a fazer a greve. É necessário fortalecer a mobilização contra os ataques dos patrões, unificando as lutas na região do ABC.

Além da ameaça aos empregos na Mercedes, a Volkswagen prometeu a fabricação de um novo produto que nunca foi implantada, gerando, também, o risco de demissões. Operários das autopeças da região também estão enfrentando muita resistência da patronal na campanha salarial e farão greve nestas quarta e sexta-feira, numa mobilização estadual dos metalúrgicos de São Paulo.

É obrigação, neste momento, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC unificar as lutas e colocar a greve no centro da mobilização. Disposição dos trabalhadores existe de sobra, como já foi demonstrado. Eles sabem que juntos são mais fortes.

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