Marcha do 8 de Março reúne 3 mil em São Paulo

Passeata na Avenida Paulista
Cromafoto

Ala da Conlutas trouxe ativistas animados e refrões de luta, polarizando a marchaNo dia 8 de março, cerca de 3 mil pessoas participaram da passeata paulista pelo Dia Internacional da Mulher. A concentração teve início às 14h, no vão do Masp, na Avenida Paulista, de onde a passeata seguiu até a Praça Ramos de Azevedo, descendo a Rua da Consolação. Mais de 80 entidades participaram do ato, entre eles a Marcha Mundial de Mulheres, o MST, União Brasileira de Mulheres (UBM), movimentos sem-teto, CUT, Conlutas e Conlute, além dos partidos PSTU, P-SOL, PT, PCdoB, PCB, PCO e diversas organizações políticas. Neste ano, o ato contou ainda com mulheres da torcida Gaviões da Fiel, do Corinthians, com bandeira e camisas.

Sendo uma marcha unitária, dirigida por setores aliados ao governo, não é de estranhar que Marta Suplicy tenha ocupado o palanque do ato. Marta falou durante a concentração, ressaltando a importância das mulheres ocuparem cargos no executivo e no legislativo, citando a presidenta eleita no Chile, Michelle Bachelet. Apesar dos setores petistas e governistas presentes que aplaudiram a ex-prefeita, uma boa parcela engrossou o refrão chamado pela coluna da Conlutas: “Ô, ô, ô Marta, que papelão/ O seu governo é do mensalão!”.

A chuva insistente que acompanhou o protesto desde o início não desanimou ninguém. As manifestantes responderam em coro que “Pode chover, pode trovejar/ A mulherada da Conlutas não pára de lutar!”. A ala da Conlutas foi uma das mais animadas, com cerca de 300 pessoas cantando os refrões durante todo o percurso, tendo à frente um caminhão de som que foi dividido entre PSTU e P-SOL, numa importante unidade para a luta.

Alguns dos refrões cantados na marcha foram: “Eu sou mulher, eu tô na luta/ Tô construindo a Conlutas”, “Brasil, Iraque, América central/ A luta da mulher é internacional”; “Negra, Lésbica, Oprimida/ Mulher trabalhadora, só a luta muda a vida!”, entre outros.

Beth Lima, do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Estado de São Paulo (Sindsef-SP) falou em nome da Conlutas, colocando a importância de enfrentar o governo para defender as reivindicações feministas: “Para lutar contra a violência doméstica, pela legalização do aborto, contra a opressão da mulher, é preciso enfrentar o projeto neoliberal e o governo Lula”. Enfatizou ainda a necessidade de as mulheres trabalhadoras participarem do Conat para construir uma alternativa de luta.

O PSTU participou ativamente da marcha e da coluna da Conlutas, com o boletim especial Luta Mulher, além de suas bandeiras e camisetas vermelhas. A professora Janaína Rodrigues, que integra o coletivo de Gênero da Oposição Alternativa da Apeoesp, falou em nome do partido, lembrando a luta das mulheres em todo o mundo, contra a opressão e o imperialismo. Ela destacou o papel das mulheres do Haiti na resistência à ocupação pelas tropas da ONU encabeçadas pelo Brasil. A ocupação do Haiti será tema de um protesto no dia 18 de março, quando haverá uma jornada internacional contra a ocupação do Iraque, com atos nas principais cidades.

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