Marcha de 50 mil em Londres: o movimento de massas começa, a guerra continua

Manifestantes mostraram sua ira contra os ataques

Alunos, professores e trabalhadores da educação mobilizaram-se em todo o país para apoiar uma manifestação nacional em Londres, em protesto contra o pagamento de matrículas e os cortes de orçamento das faculdades e universidades, organizada conjuntamente pelos sindicatos de estudantes, universidades e faculdades.

Os conservadores e os Democratas Liberais estão propondo tornar as universidades públicas as mais caras da Europa. As bolsas escolares serão cortadas e as matrículas triplicadas. Muitos estudantes deixariam a Universidade com uma dívida de seu financiamento estudantil de 30 mil libras (equivalente a R$ 90 mil) e obrigados a pagar este empréstimo por muitas décadas.

O orçamento global para o ensino superior, excluindo o financiamento de pesquisa, será cortado de 7,1 bilhões de libras para 4,2 bilhões de libras até 2014-15, uma redução de 40%. Isso será feito mediante a retirada de todos os financiamentos ao ensino de Artes, Humanidades e Ciências Sociais. Uma em cada dez universidades verão seus fundos públicos dizimados! O orçamento para pesquisa científica está sendo cortado em 1 bilhão de libras.

A manifestação de 50 mil refletiu a ira crescente contra os selvagens ataques sobre a Educação. Os planos do governo acabariam com o acesso ao ensino superior para todos, exceto aos abastados.

O sistema proposto significa a privatização do ensino superior, com instituições de elite cobrando taxas mais elevadas. As Instituições tentarão demitir pessoal e reduzir a qualidade dos cursos a fim de reduzir despesas. Além disso, o governo está propondo, a partir do que fez o governo Trabalhista, a abertura de universidades e faculdades para prestadores privados do ensino.

O protesto é o maior passo até agora na construção de um movimento nacional contra os cortes. O que moveu tantos foram os cortes, mas também a oposição em deixar o ensino muito mais diretamente sob o controle dos negócios e da busca do lucro.

Durante a manifestação, ao encontrar as portas da sede do Partido Conservador abertas, milhares de estudantes tentaram ocupar o pátio. Havia um clima de festa. A violência foi iniciada pela polícia, que fez várias prisões. Depois a polícia e os meios de comunicação lançaram uma caça às bruxas condenando os manifestantes pacíficos, como “criminosos” e violentos. Os vândalos reais são aqueles que travam uma guerra contra os serviços públicos.

Nosso movimento precisa defender os presos. A hostilidade da mídia, dos deputados e de alguns dirigentes sindicais faz um contraste marcante com a falta de horror perante os cortes que os deputados fazem, vendendo a todos a mentira de que o déficit tem de ser eliminado pela destruição dos serviços públicos.

O governo está fomentando a violência social. O ataque à educação, bem como a todos os serviços públicos, significa mais um ataque sobre os direitos dos mais pobres e mais vulneráveis, o maior número dos quais é de jovens, mulheres, negros e minorias étnicas. É o mesmo processo aplicado no Serviço Nacional de Saúde e em todos os serviços públicos e benefícios.

Suas medidas vão destruir o futuro das pessoas comuns
O ressentimento e a fúria estão aumentando em todo o país, mas estes não se refletem na liderança da burocracia sindical. Eles impediram a realização de uma manifestação nacional este ano justificando que as bases não estavam preparadas para a mobilização. A demonstração de ontem mostrou que estavam completamente errados. Mas também é um aviso de que um dos maiores obstáculos para a construção de um movimento de massas é a burocracia sindical.

Crescente oposição aos cortes
A manifestação da Educação soma-se à crescente resistência vista nas greves em Londres, pelo NUJ (sindicato de jornalistas), o FBU (sindicato de bombeiros) e o RMT (ferroviários). Outros sindicatos também estão preparando greves contra os ataques à aposentadoria, empregos e serviços.

Esta é uma guerra travada pelo governo, apoiada agora pelas prefeituras, ao definirem orçamentos subordinados às propostas do governo, incluindo-se as prefeituras administradas pelo Partido Trabalhista. Empregos e serviços estão sendo destruídos – centros infantis, serviços à juventude, serviços aos aposentados e muitos outros estão fechando ou severamente cortados. Será criada uma espiral de desemprego com terríveis consequências sociais.

Junto à manifestação de 50 mil em Londres, muitos protestos locais foram realizados em cidades de todo o país. Em Liverpool, no mesmo dia, mais de 200 sindicalistas e jovens ouviram os organizadores do Conselho Sindical exigir que a prefeitura local dos Trabalhistas não faça cortes e defina um orçamento ilegal para proteger os serviços públicos e para que se junte aos sindicatos e comunidades. Mas a prefeitura aprovou a realização dos cortes.

O Conselho Sindical (TUC) de Liverpool disse à Prefeitura: “Tome uma posição, defina um orçamento ilegal e diga à coalizão de Conservadores e Democratas (Con-Dem) que não estão dispostos a participar do vandalismo econômico contra o setor público que fará nossa cidade, e o país, retroceder vários anos. Se isso não ocorrer, faremos todos os esforços para mobilizar o movimento operário e as comunidades desta cidade em campanhas, protestos, greves e bloqueios para que os cortes em consideração sejam impedidos a cada centímetro do caminho”. Isto foi calorosamente recebido por todos no protesto.

O governo e as prefeituras fazem tudo isso para supostamente livrarem-se do déficit. Mas esses ataques não têm nada a ver com o déficit. O déficit é uma cortina de fumaça para a investida deliberada aos serviços públicos.

Eles sonham com os dias das Workhouses e das “leis dos pobres” e dos cortes nos empregos, salário desemprego e subsídios à habitação da década de 1930. Eles querem que a caridade e o trabalho voluntário substituam os serviços públicos para a classe trabalhadora, enquanto reforçam os serviços de elite para os ricos.

Desde o anúncio dos cortes pelo Parlamento na Revisão das Despesas em 20 de outubro, novos detalhes surgiram. Nesta semana, o governo anunciou propostas para atacar ainda mais os desempregados. Eles serão penalizados cada vez mais se não trabalharem – isto é, se não aceitarem qualquer emprego. Se recusarem três vezes, seu seguro desemprego pode ser cortado por três anos. Talvez recebam cupom de alimentação para que não morram de fome, talvez não.

Antes disso, eles anunciaram uma proposta para cortar os subsídios à habitação, que forçará centenas de milhares de famílias pobres a deixar suas casas.

O “déficit” foi causado pelo fato de que bilhões de libras do orçamento público foram bombeadas para o sistema bancário para manter os bancos à tona. Os bancos agora estão acumulando lucros e distribuindo megadividendos – cortesia do “déficit”.

De fato, desde 2008 e os salvamentos, os bancos e as multinacionais continuam seus negócios selvagens, engolindo outros bancos, especulando como loucos com computadores ainda mais rápidos para desenvolver seu frenesi nas bolsas de valores. Eles estão levando o mundo ao caminho da militarização, antagonismo global e uma dívida ainda maior.

Os ataques contra a classe trabalhadora não são uma questão de escolha para eles. Para competir em escala mundial pela pilhagem do que resta do mundo, eles pilham sua própria classe trabalhadora. A cada dia na Grã-Bretanha fica mais claro que os cortes são como na década de 1930, mas o salto atrás vai mais além que os anos 30, pois eles querem fechar os serviços públicos ou colocá-los diretamente sob o controle das empresas privadas – com um “logotipo público”.

E não vai parar aí. Estão sendo criadas as condições para outro colapso, pois eles não podem superar as principais contradições de um sistema em rápida decomposição – a propriedade privada e as fronteiras nacionais do capitalismo.

Muitos foram inspirados por um movimento internacional diferente – aquele dos trabalhadores e da juventude na França e na Grécia. E nós temos que ampliar esse sentimento, fazendo ligações diretas, permanentes e orgânicas com os setores combatentes da Europa e construindo um movimento europeu.

Os confrontos com a burocracia sindical são inevitáveis, pois esta é um dos maiores obstáculos na manutenção do movimento. A manifestação em Londres foi a maior desde as manifestações antiguerra no início dos anos 2000 e, como então, não só os estudantes, mas a juventude incluindo crianças em idade escolar estão começando a protestar e tomar as ruas.

A classe operária enfrenta uma agonia prolongada e o inferno da privatização até que ela possa construir um movimento maciço de manifestações, greves, ocupações e bloqueios para derrotar o Governo a partir de um programa socialista de extensão dos serviços públicos, nacionalização dos bancos e abertura de seus livros de contabilidade sob o controle democrático das massas, um programa de obras públicas para a construção de moradias e o pleno emprego com uma escala móvel de horas de trabalho sem redução salarial e para que os trabalhadores tenham o direito irrestrito de greve.