Marcha da Periferia em São Paulo denuncia violência policial contra a juventude negra


Protesto ocorreu no M’Boi Mirim e reuniu cerca de 250 pessoas de diversos movimentos

Nesse dia 20 de novembro, a 3ª Marcha da Periferia de São Paulo reuniu 250 pessoas na Zona Sul da cidade. Com o lema “Pelos nossos Douglas e Amarildo, da Copa eu abro mão”, a atividade impulsionada pelo Quilombo Raça e Classe, ligado à CSP-Conlutas, aglutinou uma série de movimentos, sindicatos e coletivos, como as Mães de Maio, Luta Popular, Sindicato dos Metroviários, o Movimento Passe Livre, entre outros.

O lema fez referência ao brutal assassinato do pedreiro Amarildo Souza, na favela da Rocinha no Rio, e ao jovem Douglas Rodrigues, assassinado a sangue frio pela polícia no dia 27 de outubro, na Zona Norte de São Paulo. A concentração da marcha ocorreu no Largo Piraporinha, no M’Boi Mirim. Ali, na periferia da cidade onde a população negra e pobre convive diariamente com a violência da polícia e os precários serviços públicos, os ativistas expressaram sua revolta contra a PM que espalha o terror nos bairros pobres da capital. “Agora eu sei/ Porque atirou em mim/ Porque para preto e pobre a sua mira não é ruim“, cantavam os manifestantes, lembrando da frase dita por Douglas ao policial, antes de morrer: “Por que o senhor atirou em mim?”.

Ao som da bateria da Fanfarra do Mal, além da LER-QI e da Juventude do PSTU, a marcha percorreu as ruas do bairro, dialogando com a população. Em frente ao cemitério São Luís, os manifestantes realizaram uma perfomance em homenagem aos mortos pela polícia. Desenharam corpos estirados no chão e escreveram os nomes de alguns dos jovens cuja vida foi tirada pela violência policial. Tinta vermelha simbolizou o sangue derramado pelos jovens negros.

O  protesto chamou a atenção dos moradores. Beatriz Helena, que passava no local, parou para se juntar ao ato. A moradora do Parque Figueira Grande foi uma das inúmeras mães que perderam seu filho nas mãos da polícia. “Os moradores da periferia, até explicarem que não devem nada, são mortos pela polícia, como foi meu filho“, diz. O filho, Oseias Inácio, foi assassinado pela polícia e incluído nos famigerados “autos de resistência”. “Disseram que ele havia roubado uma moto e resistido à prisão, mas quando eu vi no caixão, as pernas dele estavam cheias de bala, quer dizer, ele correu e foi morto“, relata, emocionada.

Após mais de duas horas de caminhada, a marcha terminou no Sacolão das Artes, espaço ocupado por diversos coletivos e que representa um espaço de resistência e cultura para a juventude da periferia. “Para nós, lutar contra o racismo é lutar por melhores condições para o povo negro, e para fazer isso é necessário lutar contra o sistema que promove e se beneficia com ele, que é o capitalismo“, afirmou Wilson H. Silva, do Quilombo Raça e Classe e da Secretaria de Negras e Negros do PSTU.

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