Manifestantes contra Obama têm cabeça raspada no presídio

Fotos dos presos

Grupo que está em Ary Franco foi obrigado a raspar a cabeça, como em Guantánamo. Senhora de 69 anos também foi presaNa sexta-feira, 18, após um protesto em frente ao Consulado dos Estados Unidos, 13 pessoas foram presas. Depois de passar a noite na cadeia, nove homens foram levados aos presídios de Ary Franco, onde foram obrigados a raspar a cabeça.

A imagem lembra as fotos dos presos políticos em Guantánamo, base norte-americana em Cuba, marcada pelo absoluto desrespeito aos Direitos Humanos. “Estamos vendo a situação se repetir aqui no Rio. Por causa da vinda de Obama, inocentes estão presos desde sexta-feira. São os presos políticos de Cabral e Dilma”, protesta Cyro Garcia, presidente do PSTU, partido que tem 10 militantes nos presídios.

“O que está acontecendo é simplesmente inacreditável. Não vejo porque eles continuam presos”, afirma Aderson Bussinger, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, que acompanha o caso. De fato, é difícil supor que o menor J. , de 16 anos, ainda permaneça em um Centro de Triagem, na Ilha do Governador. Ou encontrar os motivos que fizeram o juiz de plantão considerar que Maria de Lourdes Pereira da Silva, de 69 anos signifique uma ameaça ao presidente dos Estados Unidos e sua comitiva.

A senhora, que também é conhecida pela torcida do Fluminense como “Vovó tricolor”, pela assiduidade aos jogos, estava passando pelo Centro do Rio, na sexta-feira, quando concordou com o motivo do protesto e se juntou ao grupo que dizia “Obama, go home”. Depois que um coquetel molotov foi jogado contra o Consulado, ela terminou presa, assim como outras 12 pessoas que apenas ouviram o barulho do artefato explodindo e o avanço policial. Desde a manhã de sábado, ela divide uma cela em Bangu 8 com Gabriela Proença da Costa, estudante de Artes da Uerj, e a professora Pâmela Rossi, que estavam no ato, e outra detenta.

Neste domingo, pouco antes da chegada de Obama no Theatro Municipal, uma passeata com 800 pessoas foi até a Rua do Passeio, onde um ato exigiu a libertação dos 13. Muitos amigos do estudantes estavam lá, e parentes dos presos. Cirlete Proença, que tem um casal de filhos presos, discursou no ato, e emocionada, comparou os dias de hoje com os da ditadura militar.

A arbitrariedade tem despertado muitos gestos de solidariedade. O forte calor deste domingo não impediu a presença no ato dos advogados Marcelo Cerqueira e Antonio Modesto da Silveira, símbolos na defesa dos presos políticos na ditadura. Modesto, de 84 anos, chegou a ser sequestrado pelo DOI-CODI e é autor da Lei da Anistia. Parlamentares, inclusive o senador petista Lindberg Farias, também protestaram e fizeram uma nota.

Nesta segunda, um ato será realizado no campus do Fundão da UFRJ, pela liberdade dos presos, e contará com a presença de juristas e professores da Faculdade de Direito. A campanha para libertar os 13 também chegou a internet. Uma petição online já recebeu quase 5 mil assinaturas em apenas dois dias e uma charge do cartunista Latuff está sendo reproduzida em sites do mundo todo e nas redes sociais.

Os advogados do PSTU preparam um novo pedido de liberdade, apoiados agora pelo fim da visita de Barack Obama. “Mas não queremos só a libertação. É preciso que as acusações sejam retiradas, para que eles não sejam presos no futuro. Não é crime participar ou organizar um protesto pacífico”, diz Cyro Garcia.

  • Veja a lista dos presos políticos do ato contra Obama
  • Comunicado à imprensa sobre a repressão no ato do Rio