Manifestação dos estudantes da USP e UNICAMP reúne duas mil pessoas na Paulista

Manifestação reunião os estudantes em greve da USP e UNICAMP

Estudantes exigem mais democracia nas universidades

Os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) realizaram nesta quarta-feira, 09, um ato unificado na avenida Paulista para exigir mais democracia nas universidades. A manifestação reuniu cerca de 2 mil estudantes, que seguiram do MASP até a Assembleia Legislativa Estadual de São Paulo. Os estudantes das duas maiores Universidades do Estado de São Paulo estão com suas reitorias ocupadas desde a semana passada.

A reitoria da USP está ocupada desde o dia 01º de outubro. Os estudantes exigem eleições diretas e paritárias e uma Estatuinte livre e soberana. O reitor, João Grandino Rodas, nega-se a dialogar e pediu reintegração de posse do prédio. No entanto, a justiça negou o pedido de reintegração. Na tentativa de forçar a saída dos estudantes, a reitoria já cortou a água e a luz do local.

Na Unicamp, os estudantes ocuparam a reitoria na quinta-feira, 03, e exigem a retirada imediata da Polícia Militar dos Campi da Universidade. A reitoria autorizou a entrada da PM após a morte de um estudante dentro do campus em uma festa. Os estudantes querem a discussão, com toda a comunidade acadêmica, sobre um projeto de segurança para a Universidade que garanta concurso público e treinamento humanitário para os seguranças. Ligia Carrasco, do Coletivo Pra Fazer Diferente da ANEL Campinas, afirmou que a PM não faz a segurança dos estudantes. “Os policiais entravam na UNICAMP com metralhadoras e cachorros. Não nos sentimos protegidos, nos sentimos ameaçados”, afirmou Ligia.

Segundo Arielli Moreira, do DCE da USP e da Executiva Nacional da ANEL, a democracia nas universidades é a pauta que unifica as ocupações. “Estamos ocupando a reitoria porque queremos democracia na USP. E mais, queremos que a PM esteja fora dos Campi de todas as Universidades Paulistas, pois a PM não é sinônimo de segurança. Na verdade, a PM serve para reprimir os movimentos sociais e matar a juventude negra nas periferias”, declarou.

Além das ocupações, os estudantes das duas universidades estão em greve. Na USP, já são mais de 30 cursos em greve. Na UNICAMP, são mais de 15 cursos paralisados. E a mobilização dos estudantes cresce a cada dia. Direto da USP, a ocupação fez um chamado para as outras universidades do Brasil a realizarem uma jornada nacional de greves e ocupações.

Veja abaixo a Carta de estudantes da USP ao Movimento Estudantil brasileiro
A juventude brasileira ocupou as ruas do país em junho, demonstrando toda sua revolta contra os governos, os políticos corruptos e a polícia. A força da nossa mobilização derrotou os aumentos das tarifas e nos ensinou que é legitimo lutar e possível vencer. Agora, a ocupação da reitoria e a greve geral estudantil da USP evidenciam que a indignação das ruas chegou às universidades. Por isso, nós, estudantes da USP, convocamos o conjunto do Movimento Estudantil brasileiro a entrar em cena. Chegou a hora de contagiar as universidades e escolas com a esperança das ruas. Vamos todos transformar a educação com uma jornada nacional de greves e ocupações.

Esse é o chamado dos estudantes da USP. Não podemos perder tempo! É o momento de desafiar a ordem, pois nossos sonhos têm pressa.