Mais um agricultor assassinado na luta pela reforma agrária no Pará

Lutador popular foi morto na segunda, 22, um dia após ser eleito para a coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Independente (MTRI)

Foi brutalmente assassinado na segunda-feira, dia 22 de março, às 23h, o companheiro Epitácio Gomes da Silva, agricultor na cidade de Tailândia, no Estado do Pará. Epitácio tinha 58 anos e há muitos anos participava da luta pela reforma agrária no estado, tendo, inclusive, participado do grupo de resistência do ex-deputado João Batista, também assassinado.

Epitácio tinha sido recentemente eleito para a coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Independente (MTRI). Este movimento foi fundado no Estado do Pará no dia 27 de janeiro, inicialmente com o nome de Comissão dos Excluídos da Reforma Agrária.

O movimento nasceu com a ocupação da sede do Incra de Belém (PA), feita sem o apoio da Fetagri, MST, MPA. A luta não recebeu apoio sequer dos sindicatos. Segundo o manifesto distribuído durante a ocupação, “o sindicato de Tailândia, até o momento da viagem, esteve em tom de ameaça tentando nos convencer a não vir”.

Ainda de acordo com o manifesto, “a experiência do ano de 2003 nos mostrou que o governo federal que foi eleito com o voto dos trabalhadores não está fazendo um governo voltado para nossa classe”. O manifesto exigia que “o INCRA cumpra o papel para que foi criado que é garantir os benefícios da reforma agrária”.

No final de semana 20 e 21 de março realizaram um encontro no qual foi impulsionada a organização do Movimento, com um novo nome e uma coordenação, da qual Epitácio fazia parte. O MTRI é uma das organizações convocantes de uma reunião nacional que ocorrerá em São José dos Campos (SP) para discutir os caminhos e a organização que os movimentos populares deverão assumir.

AMEAÇAS

De acordo com José Galvão Lima, também coordenador do MTRI, no encontro do final se semana Epitácio lhe contou que na véspera da atividade ele havia sido procurado por fazendeiros e madeireiros da região que lhe perguntaram sobre o caráter do encontro, se esta reunião era para fazer invasão e para discutir a questão do campo e a reforma agrária. Epitácio respondeu que “o objetivo da reunião era formar um movimento que pressionasse o governo Lula para fazer a reforma agrária principalmente transformando em assentamentos as áreas ocupadas e para combater a paralisia atual do movimento sindical no estado e do MST”.

Epitácio foi morto a tiros na segunda-feira, sua família intimidada e sua filha ameaçada. Seu velório contou com 300 pessoas e esperava-se pelo menos o dobro para o enterro que ocorrerá nesta quinta-feira, 25 de março, em Tailândia. O enterro será um grande ato de protesto em que se exigirá investigação e punição exemplar para os assassinos.