Mais de 400 mil bancários estão parados em todo o Brasil

Em todo o Brasil, já são mais de 400 mil bancários em greve e cerca de 3.570 unidades paralisadas. Apesar dos interditos proibitórios e das ameaças feitas pelos bancos aos funcionários, o movimento cresce a cada dia.

Rio de Janeiro
No fim da semana passada, a adesão dos bancários ao movimento grevista cresceu. De 201 agências fechadas até quinta-feira (9), na sexta, este número saltou para 427. A greve manteve a adesão de 100% no Centro e cresceu em todas as regiões, inclusive na Zona Oeste. Os bairros da Leopoldina também aderiram em massa. Em Bonsucesso, os bancos não funcionaram. A decisão de participar do movimento é espontânea.

Curitiba
Os trabalhadores de Curitiba e região demonstraram ainda mais força nesta segunda-feira (13) e espantaram os rumores de que o final de semana arrefeceria a mobilização. Hoje, em Curitiba e região, são 207 agências que não abriram as portas (49 do BB, 46 da CEF e 112 de bancos privados), além de 11 Centros Administrativos (quatro do HSBC, três da CEF e quatro do BB).

Estima-se 14 mil trabalhadores bancários parados. Em relação aos três outros dias úteis de greve, houve um incremento no número de agências de bancos privados paradas na capital e região e manutenção de mais de 90% das agências da CEF e BB sem expediente. Na quarta, primeiro dia de greve (8/10) estavam fechadas 91 agências.

Hoje, o número de agências que não abriram aumentou 127%. No interior, foram 198 agências sem expediente na sexta (10), totalizando 405. Estima-se 17.570 bancários parados.

Brasília
Depois de 14 dias de greve em Brasília, os seis últimos com o restante dos bancários do país também parados, os banqueiros continuam de bico calado. Nada de proposta para os trabalhadores.

A categoria bancária aguarda de braços cruzados. Já são duas semanas em greve. Os bancários vão para a terceira firmes e fortes na luta. O número de agências de bancos privados paralisadas é cada vez maior.

Nesta segunda-feira, 13, foram fechadas 85. O movimento tem foco no Itaú, ABN-Real, HSBC, Unibanco, Bradesco, Santander, Citibank e Mercantil do Brasil. Nesta segunda, as agências da Caixa e do Banco do Brasil foram praticamente todas fechadas. A paralisação dos prédios destes bancos é crescente, principalmente no edifício sede I do BB. No BRB, a greve atingiu, nesta segunda, 70 unidades, com grande adesão nas agências Central, Comercial Sul, JK e outras. As paralisações ocorrem em todas as regiões do DF.

A agência do Banco da Amazônia (Basa) também foi fechada nesta segunda. Pela disposição demonstrada na assembléia de quinta à noite, os bancários de Brasília ainda estão com muito gás para queimar nessa queda-de-braço com os patrões.

Interditos proibitórios revogados
Os bancos recorrem à Justiça através de ações denominadas interditos proibitórios, sob o argumento de que a ação dos grevistas representa ameaça ao direito de uso e gozo da propriedade dos bancos, mais especificamente das agências bancárias. Porém, neste ano, o judiciário começa a reconhecer que os trabalhadores têm direito à greve e que o interdito é uma medida que não cabe na relação entre patrão e empregado.

O Sindicato dos Bancários de Brasília, por meio de liminares na Justiça, conseguiu revogar, na quinta-feira, 9, os interditos proibitórios no Itaú e no Unibanco.

Bahia
A categoria abusou de ousadia e irreverência para fazer manifestação contra a intransigência dos banqueiros e do governo. Na sexta-feira, décimo primeiro dia de greve no estado, os bancários saíram em passeata com apitos, nariz de palhaço, frutas e faixas com as principais reivindicações específicas dos empregados.

A passeata teve início na sede do Sindicato dos Bancários da Bahia, nas Mercês, e seguiu até o prédio da Superintendência do Banco do Brasil, na rua Direita da Piedade. Ao longo do percurso, os bancários apresentaram as reivindicações e pediram apoio e compreensão à população.

Além disso, prometeram continuar a greve até que seja feito um acordo justo e que atenda às reais necessidades dos trabalhadores.

Maranhão
Para festejar os 200 anos do Banco do Brasil, os bancários do Maranhão, no décimo quarto dia de paralisação, realizaram passeata de protesto, distribuíram caldo e bolo para a população.

O bicentenário do Banco do Brasil em meio a uma greve da categoria, dimensiona o tamanho da insatisfação dos funcionários. Os rumos escolhidos por quem dirige a empresa a direcionam para caminhos distantes da sua real finalidade institucional, ampliando a exploração dos bancários e reduzindo o poder de compra dos salários.

Durante a passeata, que seguiu da praça Pedro II até a Deodoro, com parada em todas as agências do percurso, os bancários denunciaram a exploração da categoria, o baixo índice de reajuste oferecido pela Fenaban, o descumprimento da lei das filas, a redução dos salários, a extrapolação de jornada, arrancando, muitas vezes, expressão de apoio da população à greve. Nesta segunda, 13, às 18h, ocorre mais uma assembléia no sindicato.