Lutar é tomar partido!

A importância do congresso da Conlutas favorece a reflexão sobre as tarefas futuras do movimento. O próprio congresso é a demonstração de que novos tempos estão vindo, e que é necessário pensar estrategicamente.

A proximidade de uma nova crise econômica pode levar ao surgimento de novas convulsões sociais na América Latina. Os ativistas presentes no congresso já podem ter contato com dirigentes sindicais de outros países que vivem lutas mais avançadas que as nossas.

Isso nos faz pensar na necessidade de uma revolução socialista no país. E aí surge a discussão sobre a importância ou não de um partido revolucionário. Sabemos que existem muitas dúvidas sobre este tema. Se a construção de um partido é mesmo necessária, e que tipo de funcionamento deve ter. É sobre isso que queremos conversar.

Os limites da luta sindical
As greves e as lutas sindicais e populares, por melhores condições de vida, ao unir os trabalhadores, lhes ensinam a lutar contra os capitalistas e a reconhecê-los como inimigos de classe. São, portanto, verdadeiras “escolas de guerra” como ressalta a melhor tradição revolucionária.

Por isso, é dever de todos os revolucionários participar das lutas cotidianas dos trabalhadores. Nós do PSTU estamos na linha de frente dessas mobilizações. Mas não deixamos de afirmar que a luta sindical, encarada como um fim em si mesmo, tem limites profundos.

Isto ocorre porque não há como resolver os principais problemas de nossa classe sem o fim da propriedade privada. Nos limites do capitalismo, as lutas econômicas não têm nenhum futuro. A tendência do capitalismo em todo o mundo é a retirada de direitos e das conquistas que os trabalhadores acumularam com suas lutas. O que ganhamos em uma greve, perdemos com a inflação.

Na realidade, cada luta pode ter uma conquista, que não se mede só pela porcentagem que conseguimos de reajuste salarial, mas do avanço na consciência e organização dos trabalhadores. Esta luta política significa demonstrar em cada uma das pequenas e grandes lutas o papel do Estado como defensor da propriedade privada. Também pela necessidade da luta pela auto-organização dos trabalhadores. Todo revolucionário deve atuar nos sindicatos, mas sempre possuindo como estratégia a revolução socialista.

A necessidade do partido
Para a maioria das pessoas, falar em partido é se referir ao lugar onde carreiristas e gente sem escrúpulos se organizam para roubar o orçamento público. Algo parecido com uma gangue. Não estão errados.

A chegada do PT ao governo aumentou esta desconfiança. É, na verdade, a desconfiança com o regime parlamentar da burguesia, aonde a corrupção é a regra número um de seu funcionamento.

O PSTU é um partido diferente. Nosso partido não oferece nenhum privilégio aos seus militantes. Em nosso partido não há lugar para carreiristas e parlamentares de profissão. Não construímos um partido para ser trampolim dos que buscam se enriquecer a custa do engano dos trabalhadores.

Qual é então o sentido de construir um partido? Tem o mesmo sentido da necessidade da revolução socialista. A experiência histórica demonstrou que, sem um partido revolucionário, as revoluções são derrotadas. A burguesia utiliza todos seus conhecimentos e recursos para derrotar as revoluções. Atua de forma centralizada e profissional. Querer chegar a uma vitória contra a burguesia sem um partido revolucionário é apostar em mais uma derrota. Os exemplos não faltam na história recente da América Latina. Os trabalhadores fizeram insurreições, derrubaram governos, mas terminaram derrotados.

O centro de nossas atividades de nosso partido está nas lutas diretas e não nas eleições. Participamos também das eleições, para disputar a consciência da maioria dos trabalhadores contra a propaganda dos aparatos burgueses.
Mas o nosso centro está nas mobilizações das massas. E isto nos diferencia de partidos como o PT e o PSOL, que têm como centro a atividade eleitoral.

O que é o Centralismo Democrático?
A democracia interna implica na necessidade e possibilidade de que o partido faça toda a discussão para elaborar uma orientação política correta. Após as discussões nos organismos, as decisões são tomadas. A minoria acata a posição da maioria e o partido atua com uma só política. Esse é o centralismo democrático.
O centralismo e a democracia são dois pólos inseparáveis, que se complementam. Não existe democracia sem centralismo, ou seja, sem respeito às decisões da maioria. E não pode existir centralismo sem democracia, sem debate, elaboração e decisões coletivas.

Somente em uma ambiente interno onde prevaleça o intenso debate se pode garantir a ação consciente. Ou seja, para se acertar na política é necessária uma discussão democrática.

Por outro lado, os trabalhadores em uma luta têm a necessidade de atuar com um coletivo, pois o patrão luta contra a greve com uma única política. Por isto, depois das discussões, se vota a política e todos aplicam a posição majoritária. A luta pelo poder, a mais encarniçada das lutas é impossível sem uma ação centralizada do partido.

Existe um outro regime diferente do centralismo democrático, praticado pelo PT e pelo PSOL. No regime destes partidos não há centralismo. Aparentemente “todos podem fazer o que quiserem”. Mas na verdade esta aparente democracia funciona para que alguns indivíduos, os parlamentares, decidam em detrimento da maioria dos militantes do partido. Trata-se, na verdade, de um funcionamento burocrático social-democrata.

Como não tem a obrigação de acatar as decisões da maioria, um parlamentar, que tem acesso a mídia e outros meios de divulgar suas posições, acabam sendo os principais beneficiados. Em seu último congresso as bases do PSOL votaram que o partido defenderia a legalização do aborto, mas sua principal dirigente, Heloisa Helena, defende publicamente sua posição contra o aborto.

Para o PSTU, os membros da direção do partido, em particular seus representantes no parlamento e nos sindicatos devem, como qualquer militante, estar submetidos às decisões coletivas do partido, ou seja, dos organismos. E ainda mais por serem figuras públicas. Esta é a única forma que a base do partido tem de controlar seus dirigentes, de fazer com que estes atuem respeitando as deliberações dos organismos.

Venha construir o PSTU
Assim, se você está conosco nas mobilizações, está de acordo que o centro de nossas atividades deve ser as lutas diretas e tem como estratégia a revolução socialista, venha conosco construir o PSTU. Tome partido.

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