Lula e Sarney, uma dupla de ases

Hoje, muitos trabalhadores estão se preparando para suas campanhas salariais, como metalúrgicos, bancários, petroleiros, trabalhadores dos Correios e da mineração. Vários setores do funcionalismo municipal, estadual e federal estão em mobilização também, incluindo a atual greve do INSS.

É necessário apoiar e unificar essas lutas. Cada vitória dessas categorias pode fortalecer o conjunto dos trabalhadores no enfrentamento com a crise econômica, que vai se abater com muita força sobre o país.

Mas é preciso também discutir política. Em sua maioria, esses trabalhadores apoiam o governo Lula. Mesmo que fiquem indignados com escândalos como os do Senado, não os ligam ao governo. Esse é um erro grave. Crises como a do Senado são muito importantes para entender o país.

Tanto PT como PSDB e DEM estão metidos na corrupção
A primeira lição que esta crise nos ensina é que o conjunto dos partidos majoritários do país está complemente envolvido na corrupção. Isso inclui em primeiro lugar o PT, que defende José Sarney, presidente do Senado e responsável pela maioria absoluta dos escândalos.

Sarney foi quem nomeou Agaciel Maia como diretor administrativo do Senado em 1995, há 14 anos. Em 1997, Maia deslocou um fundo destinado à saúde dos funcionários para três contas praticamente secretas controladas apenas por ele e que têm hoje 160 milhões de reais. Ele não poderia ter feito isso sem a ordem de Sarney.

Foi também Agaciel que instrumentou, sob as ordens do senador, mais de 600 atos secretos, que nomeavam e aumentavam os salários de parentes dos parlamentares. Ou ainda, garantiam o pagamento de funcionários particulares desse pessoal com o dinheiro público. O caso mais escandaloso foi o do mordomo pessoal de Roseana Sarney, que recebia 12 mil reais dos cofres do Senado.

Esses atos eram secretos para nós, mas do conhecimento de boa parte dos senadores, a começar pelos diretamente beneficiados. Isso inclui todos os partidos majoritários, inclusive a oposição de direita, o PSDB e o DEM. O líder dos tucanos no Senado, Arthur Virgílio, recebeu também um “empréstimo” em dinheiro de Agaciel.

Por que Sarney ainda não caiu?
O presidente do Senado é a direção de tudo isso. Foi ele quem indicou os funcionários que editavam e controlavam as contas. Existem centenas de provas de corrupção e nepotismo. Seria fácil provar sua culpa e derrubá-lo.

Mas Sarney é um velho cacique que sobreviveu a crises desde a ditadura militar até os dias de hoje, sempre junto ao poder. Ele sabe que compartilha a responsabilidade por esses atos com todos os partidos majoritários. É um “ás” das manobras de bastidores, um exemplar perfeito do “político” repudiado por todo trabalhador honesto.

Lula também é outro “ás”. Um ex-líder sindical capaz de enganar os trabalhadores dizendo que está do seu lado, quando faz um governo a serviço das grandes multinacionais, apoiado por gente como Sarney. Juntos, formam uma dupla de ases.
O PT, quando já era impossível ocultar os fatos, chegou a ensaiar uma retirada do apoio a Sarney. Mas Lula em pessoa mandou o partido recuar.

Para não cair, o senador ameaçou o governo com a retirada do apoio do PMDB a Dilma Rousseff nas eleições de 2010. Isso teve, pelo menos de imediato, o efeito desejado: garantiu o apoio do PT à sua permanência como presidente do Senado. A base governista é quem pode destituir ou manter Sarney. Ou seja, ele não cai porque Lula não quer. Os trabalhadores precisam saber disso!

Fora Sarney! Abaixo o Senado!
Perante essa realidade, nós defendemos o Fora Sarney. Abaixo o corrupto e líder dos corruptos.

É fundamental também apurar as responsabilidades de todos os senadores, além de Sarney, verificando os beneficiados com as maracutaias dos atos e contas secretas.
Mas não paramos por aí. Não se pode utilizar a queda do peemedebista para defender o Senado. O PSOL, neste momento, desenvolve a campanha do Fora Sarney, para, nas palavras do próprio senador José Nery (PSOL-PA), “limpar a imagem do Senado”.

Para nós, é o oposto. O Senado é uma instituição não só corrupta, como completamente desnecessária, mesmo em uma democracia burguesa. Não queremos defender um “Senado ético”, mas o fim dele.

Essa instituição arcaica é utilizada como uma trava a mais para a democracia burguesa, com parlamentares em geral ainda mais à direita (por seu número bem menor) do que a Câmara dos Deputados. Uma matéria aprovada na Câmara tem de ser também aprovada no Senado, dando ainda mais garantias para a burguesia de seu controle. Essa instituição é completamente inútil, além de corrompida. Por isso, defendemos uma câmara parlamentar única.

Essa câmara deveria ser composta por parlamentares com mandatos revogáveis a qualquer momento pela mesma população que os elegeu. Assim, não teríamos que esperar quatro anos para derrubar um desses corruptos.

  • Fora Sarney
  • Punição e cassação de todos os envolvidos
  • Abaixo o Senado! Por uma Câmara parlamentar única, com mandatos revogáveis!

    Post author Editorial do Opinião Socialista 381
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