Limitações naturais são corda no pescoço do imperialismo

O pico de descobertas mundiais de petróleo ocorreu nos anos 60, por volta de 1965. Portanto, quando, em 1973 e em 1979, ocorreram os choques do petróleo embalados por conflitos econômicos e políticos que limitavam a produção e a oferta, subindo imediatamento o preço do barril, já haviam limitações naturais das reservas petrolíferas em todas as províncias geológicas da Terra. Ou seja, a crise conjuntural, conflitos econômicos e políticos, desenvolveu-se sob o cobertor já existente da crise estrutural, resultado das limitações naturais, que hoje vivemos.

A queda de produção de petróleo dos Estados Unidos começou a partir dos anos 70, exatamente 42 anos após as descobertas de 1930. Em 1972, atingiu-se o pico de produção de petróleo, ou pico de Marion King Hubbert, nos EUA. A taxa de produção (extração) de um campo de petróleo é determinada por sua reserva física. Hoje, a produção dos Estados Unidos está reduzida a 40% do máximo atingido em 1972; e esse país, outrora o maior produtor e exportador, depende hoje em 75% do petróleo que é importado.

O padrão dos Estados Unidos é o mesmo padrão do Mar de Norte (Reino Unido, Noruega e Dinamarca), com pico de produção em 2000. Avanços em tecnologia reduziram o atraso de tempo a 27 anos do pico de descoberta em 1973. As multinacionais petrolíferas estão ficando melhores para esvaziar (depletar) os recursos naturais do planeta.

O pico de produção mundial de petróleo fora do Oriente Médio ocorreu em 1997, e está em declínio terminal. A produção (extração) mundial de petróleo está chegando ao pico máximo, que não pode ser ultrapassado, e declinará de maneira irreversível. A previsão é que este seja alcançado em 2007 para o petróleo convencional. E aponta-se que o gás natural atinja o seu pico entre 2010 e 2020 (Bentley, 2002). Agora, um barril de petróleo é encontrado para cada quatro que são consumidos. A taxa de descoberta é controlada pela natureza.

A Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás (ASPO – Association for the Study of Peak Oil and Gas) foi fundada pelo geólogo Colin Campbell. A ASPO defende que o modelo de Hubbert está fundamentalmente correto, e que o mundo enfrenta o ponto intermédio, ou máximo, da taxa de produção de petróleo global por volta de 2007, depois do qual o declínio irreversível da produção do petróleo convencional que é a carne, começa. Os ossos são as outras demais fontes de energia não renováveis.

O principal impacto do avanço tecnológico tem sido, na verdade, manter altos níveis de produção (extração de petróleo dos reservatórios) em reservas petrolíferas conhecidas. A tecnologia não aumenta o número de descobertas realmente ponderáveis, só acelera a retirada dos hidrocarbonetos. A produtividade elevada, ironicamente, antecipa o fim do petróleo ao esgotar mais rapidamente essas fontes.

Grandes avanços em tecnologia sísmica tornaram possível ao geólogo e ao geofísico ver as armadilhas (reservatórios naturais no subsolo que contêm petróleo e/ou gás) menores e mais sutis. Em geral, este conhecimento geofísico da Terra tem de fato reduzido o potencial percebido na realidade. É possível achar uma agulha em um palheiro, mas ainda é uma agulha.

O Brasil atingirá o pico em 2011 (incluindo as reservas em águas profundas), passando a partir daí a depender do petróleo importado. As reservas do Brasil corresponde a menos de 1% da reserva mundial. O Brasil não tem petróleo para exportar; mas as multinacionais já estão levando o nosso petróleo. A frase “o fim do petróleo barato“, descreve o resultado final previsto que é fundamentado no pico de petróleo, ou pico de Hubbert, que culminará em 2011.

Quando a produção de petróleo começou, no início do século XX, os maiores campos petrolíferos recuperavam 50 barris por cada barril gasto na extração, transporte e refinamento do petróleo. Atualmente, só são recuperados entre um e cinco barris por cada barril usado no processo de recuperação.

Na lógica capitalista (auto-suficiência do capitalismo e sustentabilidade do mercado financeiro), quando esta relação alcança o ponto onde é preciso um barril para recuperar outro, o petróleo torna-se inútil como energia. Mas, para a imensa maioria da espécie humana, o efeito da lógica capitalista é irracional. A sociedade seria mais eficiente e ficaria melhor usando essa energia restante para outros fins, em atendimento às prioridades básicas e necessárias.

Em termos caloríficos, o petróleo pode ser substituído como, por exemplo, pelo hidrogênio. Em relação às suas superiores propriedades, o petróleo é insubstituível. Uma economia dependente do hidrogênio nunca será economicamente viável: não é uma fonte de energia, mas sim um acumulador de energia. Etanol de milho ou cana também não são alternativas poderosas.

O crescimento econômico não será mais possível. O crescimento do passado se torna o declínio do futuro. Pode vir a anunciar o fim da hegemonia econômica dos Estados Unidos. Ou seja, 100 anos de crescimento fácil estão terminando, porque se trata, agora, de uma crise de natureza estrutural, imposta pela natureza.

A busca da solução, não para o capitalismo; mas, para a espécie humana
dados do problema são razoavelmente conhecidos, graças, sobretudo, a importantes trabalhos de investigação como os de Collin Campbell…” – Na verdade, são conhecidos apenas no meio cientifico. Os povos das nações oprimidas, principalmente, precisam ser informados sobre este cenário.

O que interessa, na verdade, é que a crise econômica do imperialismo (superprodução de mercadoria e a inevitabilidade da queda continua da taxa de lucro do capital investido, embora haja altíssima exploração da mais-valia – absoluta e relativa – dos trabalhadores), combinada com a crise energética e a crise das fontes de água doce, enforca definitivamente o capitalismo.

Por isso, vivemos, tanto no século anterior como no atual, uma época revolucionária. Outra verdade é que o capitalismo já cumpriu o seu papel histórico. Por que, então, teima em sobreviver? Chegou o momento de sepultá-lo. Isso é o que, de fato, interessa, a partir não só da análise dos dados da ASPO sobre a utilização irracional do petróleo; mas, de tudo que é escasso na natureza e que tem sido usado para garantir o lucro que beneficia apenas uma minoria, ou seja, manter auto-suficiente o capitalismo e garantir sustentabilidade ao mercado financeiro, em detrimento das prioridades básicas e necessárias da imensa maioria dos povos do planeta.

A partir de agora e, não daqui a mais ou menos 50 anos, não é possível mais o crescimento econômico dos países. Esse é o desespero do imperialismo, que vai fazer de tudo, e usar todos os meios, principalmente as guerras brutalmente ofensivas – como as do Afeganistão e do Iraque, e num futuro breve na América Latina – para tentar continuar garantindo a inútil sobrevivência do capitalismo, jogando na vala da miséria absoluta a imensa maioria da espécie humana.

Quanta mentira é transformada em verdade por ter sido repetida n vezes. Por que, então, não repetir n milhares de vezes o que, de fato, é verdade para os povos oprimidos?

Vejamos, por exemplo, a reação das massas bolivianas por ter conhecimento da realidade dos fatos. Tomemos, também, a reação das massas brasileiras, que agem de modo indiferente diante da entrega dos nossos recursos naturais, por ter total desconhecimento desta realidade, conhecendo apenas as mentiras repetidas n vezes pelos governos de plantão, sentados em confortáveis poltronas dos palácios do regime político do Estado burguês.

Das trincheiras aos palácios ou a revolução vitoriosa das massas boliviana
Os 78 contratos assinados pelas companhias de óleo – Repsol, Petrobrás, Total, British Gas, Vindtage, Enron, Shell e outras – com os neoliberais do governo foram considerados como ilegais pela justiça boliviana, por não ter sido referendado pelo Congresso tal como especificam as leis. Por isso, os setores sociais exigiram o desconhecimento imediato destes contratos, dando lugar à nacionalização sem indenização e a expulsão das transnacionais que operam na Bolívia à margem da lei.

Contraditoriamente, em sua desenfreada pressa para chegar ao poder, o Movimento al Socialismo (MAS), do deputado indígena e cocalero Evo Morales, que encabeça a preferência eleitoral na Bolívia, se submete aos organismos internacionais e promete não afetar os interesses das transnacionais e respeitar os contratos das companhias de óleo, embora sejam ilegais e prejudiciais ao povo da nação boliviana.

“Elas foram reuniões sinceras e de respeito mútuo onde um time de profissionais e técnicos de alto nível esboçou com – técnica e política – o que nós faremos no país“, disse o candidato a vice-presidente do MAS, Alvaro García Linera, depois da reunião que manteve com representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (BM) e de outros organismos que são os que definem o fundamento das políticas econômicas que devem ser seguidas pelo o mais saqueado e o mais empobrecido país de América do Sul.

As massas empobrecidas da Bolívia irão derrubar em menos de um ano o novo presidente que emergirá das próximas eleições nacionais de dezembro, se não houver a nacionalização do gás e do petróleo sem indenização, predisse o líder de El Alto, Roberto De La Cruz.
A ameaça é endereçada tanto para Evo Morales, o deputado e líder indígena que tem grande apoio eleitoral, como para Jorge Tuto Quiroga, o ala direitista e neoliberal que governou no começo da década com os setores mais reacionários da oligarquia, e que são os principais candidatos para ganhar as eleições no final do ano.

Nenhum deles quer a nacionalização dos hidrocarbonetos bolivianos. Ninguém reconhece esta demanda do povo boliviano, disse o dirigente Roberto De La Cruz, um dos que encabeçaram os protestos de outubro de 2003 e junho de 2005, que culminaram com a queda dos ex-presidentes Gonzalo Sánchez de Lozada e de Carlos Mesa, declarados defensores das transnacionais.

As riquezas naturais têm que voltar a pertencer ao povo. Isso é o que quer o povo boliviano. É necessário dizer e sustentar que a população não deveria se permitir a construir esperanças com as promessas eleitorais de candidatos sustentados financeiramente pelas multinacionais em toda a América Latina.

A conseqüência principal é a intensificação da situação revolucionária em todo o mundo. E os povos oprimidos da nação boliviana, mais uma vez, continuam sendo o carro chefe desse movimento de luta inevitável que definitivamente culminará com o enforcamento do imperialismo.

Fonte de Pesquisa: Colin J. Campbell, geólogo da ASPO, e Econoticiasbolivia.