Kátia Telles: “Crise em estaleiro de Recife desmascara governo Lula e Eduardo”

Todo apoio aos trabalhadores de Suape: caiu a máscara de Lula, Eduardo e João Paulo“Após três dias, a greve dos soldadores e montadores do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) chegou ao fim. Porém a ferida aberta na empresa nestas 72 horas dificilmente será esquecida, fazendo com que o sonho do estaleiro perdesse parte de seu brilho. Isso porque em meio às discussões salariais, uma série de denúncias foram feitas pelos trabalhadores sobre o dia-a-dia na empresa. Desde alimentação de má-qualidade, preconceito, assédio moral, falta de material de proteção adequado, péssimas condições no transporte dos empregados e por ai vai.”

Este texto, publicado no Blog de Jamildo, ilustra as inverdades que nos contam os governos de Lula, Eduardo e João Paulo. Mesmo com o anunciado fim da greve destes valorosos lutadores, alguns pontos servem para uma reflexão.

Por mais de uma vez, Lula esteve aqui para dar apoio ao grande empreendimento chamado Estaleiro Atlântico Sul. Em todas as ocasiões o prefeito do Recife estava presente. O governo estadual não cansa de tecer loas ao estaleiro e a outros grandes projetos que vão mudar Pernambuco, o que hoje é quase um mantra.

Com a greve, finalmente, a verdade apareceu
Trabalhadores que ganham pouco mais de um salário mínimo, direitos trabalhistas desrespeitados e como punição a uma legítima greve: tivemos um festival de truculência por parte da empresa (dezenas de demissões!).

Tudo isso com o velado apoio dos governos do PT/PCdoB/PSB, Com a conivência de setores da Justiça (que fecham os olhos para desrespeitos trabalhistas e tratam os trabalhadores como marginais) e a descarada omissão da CUT, hoje uma linha auxiliar dos governos a nível federal, estadual e municipal.

A música de campanha do candidato oficial fala que “Recife tem um timão, governador, presidente e dois prefeitos João”. Esse timão é o responsável pela expulsão de centenas de sem-teto no Recife.

Nós, do PSTU, não esquecemos os métodos covardes que a prefeitura utilizou em 2007 para expulsar os trabalhadores que ocupavam um terreno no Coque. Denunciamos que sem-teto foram expulsos de uma edificação no Cais de Santa Rita só para dar mais conforto para grandes construtoras construírem imóveis de luxo no local (construções que começaram com as horríveis torres gêmeas da Moura Dubeux). Foram esses governantes que expulsaram famílias de Brasília Teimosa não para o bem das mesmas, que em sua maioria agora moram longe de seu lugar de sobrevivência, mas para facilitar a especulação imobiliária no Pina.

Esse time gosta de falsear dados para iludir os trabalhadores: o governo federal proclama que pessoas que ganham por volta de R$1.000 por mês já são classe média (quando o Dieese afirma que um salário mínimo digno devia ter pouco mais que o dobro desse valor), o governo estadual alardeia que é o primeiro estado a pagar o piso salarial aos professores (quando a maioria dos estados já paga acima do piso de R$950 – que é pouco mais de dois salários mínimos) e a dupla João Paulo/João da Costa afirma não ter usado a máquina pública em favor da candidatura oficial quando até os tapetes do Palácio Antonio Farias sabem que o PT usa a prefeitura como instrumento eleitoral.

A greve dos valorosos metalúrgicos de Suape mostrou que é possível virar esse jogo. Mostrou que é possível desmascarar as mentiras. Mostrou que é preciso cantar com Jackson do Pandeiro: “Esse jogo não pode ser um a um”.

O PSTU convoca os trabalhadores a vencerem o jogo. A darem de goleada na burguesia e em seus aliados. O jogo da luta de classes só é vencido quando não se está junto de quem nos oprime, como dizia na década de 90 uma conhecida canção da igreja católica progressista: “Quem é que faz a lei? /é o patrão / quem é que a lei protege? / é o patrão / quem sofre com tudo isso? / é o povão! / ainda tem gente / que vota no patrão”.

Que a luta dos trabalhadores do Estaleiro Atlântico Sul seja a primeira de uma série de várias greves e ocupações que vai desmascarar os governos ditos populares. Os políticos que vivem juntos aos empresários, banqueiros, usineiros, agentes da ditadura militar e religiosos reacionários, só lembrando do povo nas eleições.

* Kátia Telles é candidata a prefeita pelo PSTU em Recife (PE).