Justiça suspende ação contra responsáveis pelo desastre da Samarco

Fotos Romerito Pontes

Quase dois anos após a tragédia provocada pela mineradora Samarco na barragem do Fundão, no distrito de Bento Rodrigues (MG), que matou 19 pessoas e resultou no maior desastre ambiental da história do país, ninguém foi punido e agora a Justiça simplesmente suspendeu o processo contra os responsáveis. O desastre ocorreu em 5 de novembro de 2015, arrasou o distrito e levou um prejuízo incontornável ao meio ambiente, principalmente ao Rio Doce.

O processo contra a Samarco, Vale e BHP Billiton (donas da Samarco), e 21 diretores dessas empresas, além da VogBR, empresa que deu laudo falso liberando a barragem, foi suspenso a pedido da defesa dos reus. Ela alegou que as escutas telefônicas utilizadas pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) para embasar a denúncia ultrapassaram o período autorizado pela Justiça, o que o MPF nega. Uma enrolação para manter esse povo todo impune.

As empresas e os diretores são acusados por homicídio, lesão corporal grave, inundação e desmoronamento. E olha só: o mesmo juiz federal que mandou parar o processo, Jacques de Queiroz Ferreira, de Ponte Nova (MG), também negou o pedido do MPF para que os reus entregassem seus passaportes. Ou seja, estão todos livres, leves e soltos por aí, podendo sair do país tranquilamente a qualquer momento.

É um verdadeiro acinte! Mostra não só a ganância irrefreável das grandes empresas, que pouco se importam com a vida dos trabalhadores e da população em nome de seus lucros, como essa Justiça que está aí que só serve aos interesses dos ricos e poderosos. Enquanto isso as famílias dos mortos e as pessoas que perderam suas casas e tudo o que tinham, permanecem ao léu. Enquanto isso também o jovem Rafael Braga continua preso no Rio de Janeiro, por um crime que não cometeu.  Nesse país, a Justiça só serve para punir, prender e encarcerar preto e pobre.

Esses bandidos que causaram tanto sofrimento ao povo pobre de Bento Rodrigues, e às inúmeras pessoas que dependem do Rio Doce, deveriam ir para a cadeia, mas não só. Deveriam ter seus bens confiscados, as empresas deveriam ser estatizadas, sob o controle dos trabalhadores, e colocadas à serviço da população, e não para o lucro de meia dúzia de endinheirados que não pensam duas vezes antes de colocar as pessoas em risco em nome de seus rendimentos.

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