Jovem, trabalhador e negro

Esta pode ser a descrição de boa parte dos que trabalham nas grandes fábricas deste país, assim como dos entregadores de pizzas ou dos lavadores de carros. Esta é a descrição da maioria dos moradores dos bairros das periferias das grandes cidades do país.

Jovem, trabalhador e negro. Serão assim as próximas vítimas da polícia paulista, em represália aos ataques do PCC. A polícia é impotente para impedir os ataques das máfias criminosas. Mas reage promovendo um massacre nos bairros populares. Quando vêem um carro da polícia se aproximando, muitos adolescentes correm, querendo escapar da morte certa. Viram alvos fáceis, atingidos pelas costas, com tiros na nuca para finalizar a execução.

Os trabalhadores têm que enfrentar, de um lado, o PCC; de outro, a polícia. O crime organizado e o Estado burguês se materializam em ameaças concretas, com armas nas mãos. Polícia e bandido, que muitas vezes se misturam. Muitos policiais são bandidos uniformizados. Muitos bandidos financiam os policiais.

Basta!
O povo trabalhador quer dar um basta à violência. Mas não se satisfaz com as besteiras propagandeadas todos os dias pelo PT ou por PSDB e PFL. Nenhum destes partidos tem a coragem de dizer que a política econômica impulsionada por eles dá origem a esta situação. Nenhum destes partidos tem a ousadia de atacar seus próprios parlamentares criminosos, corruptos e impunes.

Com que moral o PT de Lula vai falar da necessidade de prender os líderes do PCC, se acoberta Zé Dirceu, Genoino, Delúbio e os mandantes do assassinato de Celso Daniel? Com que autoridade PSDB e PFL vão defender a necessidade de enfrentar o tema da violência no país, depois de comandar o estado de São Paulo por tantos anos com Covas, Alckmin e agora Lembo?

O povo trabalhador e negro não é bandido. Bandidos são os deputados e senadores ladrões deste país. Bandidos são os banqueiros que roubam o Brasil com uma taxa de juros de agiotas.

Os trabalhadores têm reivindicações simples como trabalhar, poder vestir e alimentar seus filhos. E agora têm outra: sobreviver perante as ameaças dos bandidos e da polícia.

Enfrentar a violência no Brasil não é simples. Não se resolverá nada com mais polícia na rua, com a pena de morte, ou qualquer outra escalada na repressão. São Paulo é o estado em que se tentou impor as medidas mais duras, com mais policiais, mais violência estatal.

Chegou-se ao massacre da juventude negra nos bairros populares. Chegou-se à barbárie em Araraquara, onde o governo paulista transformou o presídio em um depósito: portas lacradas e os presos jogados ao relento, o que não ocorreu nem nos campos de concentração nazistas.

Aqueles que acham que tudo se resolverá com mais violência do Estado já devem estar delirando com estas medidas. A violência, no entanto, só vai continuar aumentando.

Mudar tudo
Para enfrentar a questão da violência é preciso mudar todo o país.
É preciso mudar o modelo econômico, enfrentando a exploração capitalista neoliberal. Enfrentar de frente a corrupção de todo o Estado (incluindo a polícia e a Justiça).

Tanto PSDB e PFL, como o PT, acham que a memória do povo é curta. Apostam na deseducação, na falta de informação. O governo Lula acha que, com o apoio da CUT e da UNE, pode bloquear qualquer mobilização contra os patrões e o governo. E que nas eleições, agitando a ameaça da “volta da direita”, pode manter as coisas como estão.
PSDB e PFL se apóiam nos pelegos da Força Sindical para tentar evitar as lutas dos trabalhadores. E querem aparecer como a “alternativa” para os fracassos de Lula.

Sinais de mudança
Mas o povo pobre e oprimido está se levantando. Alguns sinais, ainda que parciais, indicam um desejo de mudança. Os metalúrgicos de Volta Redonda (boa parte deles jovens e negros) derrotaram a CUT e a Força Sindical nas eleições sindicais, elegendo uma nova direção, que tem companheiros da Conlutas.

Os metalúrgicos de Volta Redonda (RJ) já protagonizaram lutas heróicas, com grandes repercussões políticas. Em 1988, a greve metalúrgica se enfrentou com a repressão do governo. A reação política a esta repressão possibilitou um crescimento eleitoral da esquerda que, naquela época, se expressava no PT. Hoje esse resultado indica um enorme desgaste da CUT e da Força Sindical, que apóiam o modelo econômico. Os ritmos em que se fazem as experiências sindicais e políticas dos trabalhadores são desiguais. A maioria dos trabalhadores brasileiros ainda acredita em Lula, e provavelmente ainda votará nele. Mas as eleições de Volta Redonda têm uma importância particular: se os metalúrgicos levantaram a cabeça contra a CUT e a Força Sindical, podem fazê-lo contra PT, PSDB e PFL.

Por outro lado, os atos de lançamento das candidaturas da Frente de Esquerda estão começando a reunir a vanguarda e os ativistas das lutas deste país. Ao Rio de Janeiro se somaram Brasília, Macapá, Porto Alegre, Florianópolis. Nos próximos dias serão realizados atos em Fortaleza, João Pessoa, São José dos Campos e ABC paulista. É hora de construir uma alternativa também eleitoral através da Frente Esquerda, com a candidatura de Heloísa Helena, contra o PT e a dupla PSDB-PFL.

Post author Editorial do Opinião Socialista 266
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