Alimentos, transporte público e energia elétrica fez inflação dos mais pobres superar a inflação oficial em 2019

As famílias mais pobres sofrem mais com a inflação. O que já era bastante perceptível fica comprovado com o levantamento divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) no último dia 14, o “Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda”. A pesquisa mostra que, em dezembro último, a inflação foi de 1,19% para quem ganha até R$ 1.643, enquanto os mais ricos, que recebem mais de R$ 16.442, sofreram uma inflação de 0,99%.

Só o aumento no preço dos alimentos representou 97% da inflação das famílias mais pobres. Entre os produtos que mais subiram, evidentemente, está a carne, que aumentou 18,1%. Tubérculos aumentaram 6,4%, cereais 5,73% e aves e ovos 4,48%. No total, os alimentos a domicílio tiveram alta de 4,69%. Na parte mais rica, pesou mais o aumento dos combustíveis, de 3,57%. Transportes em geral tiveram inflação de 1,54%.

Com o resultado de dezembro, a inflação de 2019 fechou em 4,4% para os mais pobres, acima da inflação oficial calculada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA, que ficou em 4,31%. Nesse período, os alimentos representaram aumento de 7,8%, seguidos pela tarifa do ônibus, 6,6% e energia elétrica, 5%. Já a inflação dos mais ricos ficou abaixo da oficial, 4,16%.

O levantamento mostra uma rápida aceleração da inflação no último trimestre do ano em todas as faixas de renda, e como, entre os mais pobres, ela pesa mais, inclusive em relação aos anos anteriores. Para eles, a inflação de 2019 foi o dobro da registrada em 2017.

A inflação mostra como a política econômica do governo Bolsonaro, e dos governos locais, atinge mais os trabalhadores e a população mais pobre. Como o próprio governo fez questão de reafirmar, o preço da carne não vai voltar aos patamares de antes, resultado de uma produção voltada à exportação e aos lucros do grande agronegócio. Enquanto isso, essa mesma população mais pobre é a mais atingida pelo desemprego, o trabalho precarizado que explode nas cidades, e as reformas impostas pelo governo, como a trabalhista e a da Previdência.