Honduras: nem repressão, nem negociações vão deter a resistência

Aprofundar a luta contra o golpe!O povo hondurenho continua resistindo ao golpe. Depois das gigantescas mobilizações do último dia 5, quando o governo golpista de Micheletti reprimiu brutalmente as massas (causando a morte de dois ativistas: Isy Obed Murillo e Gabriel Fino) e impediu que Manuel Zelaya voltasse a Honduras, o movimento não se dobrou. Fato que demonstra uma inquebrantável convicção de acabar com este golpe de Estado orquestrado por uma poderosa frente contrarrevolucionária formada por toda burguesia, Forças Armadas, Igreja, Parlamento, Corte Suprema e os meios de comunicação (que levam adiante um bloqueio midiático).

Ontem [dia 9], cumpriu-se uma jornada de paralisação parcial das principais estradas do país no marco da paralisação cívica nacional convocada pela Frente Nacional de Resistência. Foram realizados piquetes nas principais cidades da zona norte do país (Cortes, Santa Bárbara, Atlántida, Colon, Choro), na zona central (Comayagua e Tegucigalpa) e em Olancho. Os colegas da Rede Comal (uma rede de microempresários camponeses e pobres urbanos) assim como os colegas do COPIN (organização indígena) marcharam para Tegucigalpa.

Como produto da situação mundial, o imperialismo e a burguesia de toda a América Central foram obrigados a não reconhecer os golpistas. No entanto, tentam pressionar para que o povo hondurenho para que aceite, pela via da negociação, um arranjo com os mesmos em nome da paz e da governabilidade. Essa foi a manobra do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e do imperialismo quando chamou a uma mediação.

O governo de Costa Rica tentou de impor uma capitulação a Manuel Zelaya. No entanto, ante a negativa dos golpistas, Arias não pôde oferecer nada a Zelaya. A Frente Nacional contra o golpe de Estado temia uma capitulação de Zelaya e, por isso, decidiu enviar uma delegação de representantes das organizações populares que vieram com um mandato de não permitir uma negociação entre o governo golpista e Zelaya. Além disso, exigiam que a única solução para o conflito fosse a saída dos golpistas e a convocação de uma Assembleia Constituinte. A presença da delegação ajudou a que a manobra de Oscar Arias e do imperialismo não se concretizasse.

Por enquanto, a tentativa de negociação às escondidas do povo de Honduras foi freada. Contudo, ela continua sendo a principal política do imperialismo para evitar que o povo hondurenho ajuste as contas com os golpistas. Por isso, a Frente Contra o Golpe de Estado e todas as organizações que a conformam devem se manter em alerta diante uma nova convocação de uma negociação “por cima”, pelas costas do povo hondurenho.

A resistência continua
No dia 9, protestos de rua foram retomados com mais força para enfrentar os golpistas. Organizações populares mobilizaram-se em todas as regiões, como na estrada que liga Tegucigalpa ao sul do país, onde se registrou um bloqueio que o governo golpista não se atreveu a reprimir. Na sexta-feira, dia 10 de julho, foi realizada uma paralisação cívica que parou diferentes estradas do país.

Enquanto o governo golpista de Micheletti está congelando as contas das centrais operárias e os sindicatos dos professores, os governos imperialistas (apesar da OEA e a ONU não reconhecerem o governo golpista), continuam mantendo relações comerciais com o país e se recusam a tomar medidas mais contundentes, como o congelamento das contas bancárias dos golpistas.

Chamamos o apoio à resistência do povo hondurenho para fortalecer ações como a paralisação cívica, garantir a autoorganização necessária para se defender da repressão dos golpistas. Ademais, denunciamos as tentativas de negociação às escondidas do povo que pretendem legitimar o governo golpista. A mobilização do povo hondurenho é uma clara mensagem a Zelaya para que não volte a abrir uma mesa de negociação às suas costas, mas que ele deve sim chamar, apoiar e fortalecer a paralisação cívica e todas as demais ações de resistência realizadas pelas massas hondurenhas.

Os meios de comunicação e os governos burgueses querem convencer às massas que mediante aos gerenciamentos diplomáticos a liberdade será devolvida ao povo hondurenho. Alertamos o movimento operário internacional e aos povos que hoje mais que nunca é imprescindível prestar toda solidariedade a resistência do povo hondurenho até a derrota do golpe. Para isso é necessário organizar manifestações de repúdio ao golpe de Estado em todos os países, exigindo a suspensão de relações comerciais com Honduras até a restituição de Zelaya.

  • Todo o apoio às mobilizações! A aprofundar a paralisação cívica até a vitória
  • Nenhuma negociação com os golpistas. Fora Micheletti! Restituição de Zelaya
  • Julgamento e castigo para os golpistas assassinos
  • Todos os governos do mundo, começando pelos Estados Unidos, devem romper com qualquer tipo de ajuda econômica e militar ao governo golpista
  • Pela ruptura de relações diplomáticas com Honduras até a derrota dos golpistas
  • Por uma assembleia constituinte livre, democrática e soberana

    Secretariado Internacional da LIT-QI
    10 de julho de 2009