Honduras: Marcha com 15 mil desafia toque de recolher

Protestos nas ruas da capital, Tegucigalpa, e a repressão em San Pedro de Sula

Manifestações avançam pelo interior do país. Polícia prende centenas na segunda cidade do paísNesta quinta-feira, muitos hondurenhos foram novamente às ruas da capital Tegucigalpa protestar contra o golpe. Barricadas foram levantadas nas ruas da cidade. Mais de 15 mil pessoas, a maioria delas membros de sindicatos, movimentos sociais, do chamado Bloco Popular, participaram dos protestos na capital. Os manifestantes marcharam novamente em frente ao Congresso cercado por militares e gritaram “fora golpistas” para os deputados que ontem aprovaram a suspensão de garantias individuais, entre elas a liberdade de circulação e associação. O toque de recolher continua vigente.

A greve convocada pelas centrais sindicais do país. Informações indicam que a adesão é praticamente total dos trabalhadores do setor público, como escolas e transporte público etc. Há informações de que trabalhadores das empresas “maquiladoras” do interior do país também paralisaram.

A cidade de San Pedro de Sula, a segunda maior do país, se converteu hoje no principal foco dos protestos. Houve uma grande manifestação contra o governo golpista na praça central, que reuniu milhares de pessoas. Forças militares tomaram a cidade e houve repressão contra a população deixando centenas de feridos. O prefeito foi destituído pelo exército e no seu lugar foi colocado o sobrinho de Roberto Micheletti, chefe do governo golpista.

O jornalista hondurenho Edgardo Castro disse a TeleSur que a polícia prendeu cerca de 160 pessoas. “A polícia descarregou uma imensa quantidade de balas contra seu povo”. Ele completou dizendo que “advogados tentam deter o abuso de poder por parte das autoridades”, a fim de que deixem em liberdade os manifestantes.

Foram registrados novamente protestos pró-golpistas, que reuniram não mais do que uma centena de pessoas, segundo a CNN. De acordo com um oficio obtido pela reportagem da TeleSur, altos funcionários do Estado obrigaram seus subordinados a participarem da manifestação.

Por outro lado, havia outra diferença deste tipo de manifestação com os protestos contra o golpe. “As diferenças entre seus participantes saltam à vista: taxistas, professores e sindicalistas com rostos morenos e caracteristicas indígenas protagonizavam os protestos para pedir o regresso de Zelaya. Do outro lado, empresários, funcionarios públicos e empregados, a maioria da classe média acomodada, manifestavam-se a favor de Micheletti”, observa uma nota de Agência France Presse (AFP), reproduzida pelo diário El Tiempo.

Nesta sexta-feira, dia 3, representantes da OEA (Organizações dos Estados Americanos) e da União Europeia estarão no país tentando negociar a volta do presidente deposto com a oposição golpista.