Greves se espalham pelo Rio Grande do Norte

Policiais civis aprovam greve e se unem a médicos e professores; rodoviários também vão paralisar atividadesUma onda de greves se espalha pelo Rio Grande do Norte. Depois dos médicos e dos servidores da educação, foi a vez dos policiais civis também cruzarem os braços contra o governo de Rosalba Ciarlini (DEM). Neste dia 17, reunidos em assembleia na sede do sindicato da categoria (Sinpol/RN), os policiais civis aprovaram a paralisação por tempo indeterminado. Entre as principais reivindicações, estão a retirada total dos presos das delegacias, a garantia do vale-refeição no lugar de “quentinhas” e a nomeação dos aprovados no último concurso. “O governo simplesmente disse que não dava para atender nossas reivindicações. Diante disso, a greve é inevitável” , afirmou a presidente Vilma Marinho.

Motoristas e cobradores param quinta
Os trabalhadores rodoviários também vão fortalecer a onda de greves que toma conta do Rio Grande do Norte. Em Natal, motoristas e cobradores de ônibus vão parar suas atividades a partir da próxima segunda-feira, dia 23. A decisão foi tomada neste dia 18, depois de uma assembleia realizada na sede do Sindicato dos Profissionais de Transporte do Rio Grande do Norte (Sintro). A categoria reivindica reajuste salarial de 13,98%, plano de saúde, retorno do pagamento do qüinqüênio, do adicional por antiguidade e aumento no valor do vale-alimentação, de R$ 4,00 para R$ 10,00.

Os servidores do Detran/RN (Departamento de Trânsito) também estão ameaçando aderir ao movimento grevista. Os 260 trabalhadores efetivos do órgão podem parar a emissão de carteiras de habilitação, registros de automóveis, emplacamento e vistoria, caso o governo do estado não pague a segunda parcela do Plano de Cargos, reestruturado em 2010, e que deveria ter acontecido em março desse ano. O Sindicato dos Servidores da Administração Indireta (Sinai/RN) ainda reivindica a convocação dos 285 aprovados no concurso de dezembro do ano passado.

Médicos há nove meses sem salário
Desde o dia 18 de abril, 226 médicos da rede estadual de saúde estão em greve. Recém-contratados no ano passado pelo governo do estado, há nove meses eles não recebem seus salários. Alguns, inclusive, não recebem há 11 meses. Outros 1.600 médicos que integram o atendimento nos 23 hospitais do Rio Grande do Norte já aprovaram greve geral a partir de 1º de junho, em assembleia realizada neste dia 18. Eles reivindicam que o projeto de lei aprovado em maio de 2010, que incorpora ao salário uma gratificação de R$ 2.200, seja cumprido pela governadora Rosalba Ciarlini. Melhores condições de trabalho e aumento no número de profissionais também fazem parte da pauta.

Greve da educação entra na terceira semana
A greve da rede estadual de educação do Rio Grande do Norte entrou em sua terceira semana e vem ganhando mais força. Paralisados desde o dia 28 de abril, os trabalhadores continuam com disposição para manter as escolas fechadas enquanto o governo do estado não atender às reivindicações. A estimativa do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/RN) é de que 95% dos 18 mil professores da rede estejam em greve, apenas estagiários e contratados estariam trabalhando.

Para a professora e militante do PSTU, Amanda Gurgel, que se tornou símbolo da defesa da educação ao silenciar deputados durante audiência pública, a categoria está mantendo a greve com firmeza. “Nossa greve continua forte e tem se estendido para todo o estado. A cada assembleia recebemos informações de cidades do interior que estão se juntando ao movimento. Os trabalhadores estão firmes nessa luta“, disse. Sobre a intransigência do governo em não negociar com a categoria em greve, Amanda é categórica: “Não retornaremos às escolas sem o cumprimento do Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos funcionários, a revisão do Plano dos professores, a aplicação da tabela salarial dos servidores e o pagamento de direitos atrasados.”.

Na próxima quinta-feira, dia 26, professores e funcionários de escolas farão um grande ato público, com caravanas de trabalhadores vindos do interior do estado. Haverá ainda uma reunião com os sindicatos das outras categorias em greve. O objetivo é unificar e fortalecer as lutas de todo o movimento contra o governo de Rosalba Ciarlini, que insiste em não atender às reivindicações. “Vamos negociar de uma forma global quando os servidores voltarem ao trabalho”, chegou a afirmar o secretário chefe do Gabinete Civil do Governo do Estado, Paulo de Tarso Fernandes.

Greves mostram inconformismo com inflação
Diante da alta inflação que vem corroendo os salários, as greves no Rio Grande do Norte mostram que os trabalhadores não estão dispostos a pagar a conta pelo aumento do custo de vida. Para se ter uma ideia, nas primeiras duas semanas do mês de maio a cesta básica em Natal acumulou alta de 1,28%, em relação à última semana de abril. Só na primeira semana o aumento médio foi de 1,75%. Isto significa que o custo médio para o consumo mensal de uma família de seis pessoas – quatro adultos e duas crianças – chegou a R$ 373,38.

A onda de greves que atinge o Rio Grande do Norte demonstra, portanto, que a saída para o aumento da inflação não está em diminuir o consumo, e sim em elevar os salários e recuperar as perdas acumuladas pelos trabalhadores.