Greves, crises e mobilizações cercam o governo de Rosalba

    Com as mobilizações de junho e julho, trabalhadores, estudantes e a população mais carente aprenderam que a luta pode mudar a vida. No entanto, sabem que o governo, o parlamento e poder judiciário não mudaram, continuam legislando e julgando a favor dos poderosos. Por isso, ainda é preciso muita luta pela frente, e há disposição para isso.
    No Rio Grande do Norte há uma situação de crise político-econômica que se materializa na profunda crise nos serviços públicos e no setor produtivo, com falta de investimentos, em virtude da corrupção e a utilização de privilégios para os políticos burgueses, mesmo com o aumento da arrecadação do Estado.
    Já em 2011, houve um grande processo de mobilização que colocou em pauta o primeiro “Rio Greve do Norte”. Em 2012, grandes mobilizações abriram uma crise no governo municipal e derrubaram a prefeita Micarla de Souza.
     
    Em 2013, as mobilizações voltaram às ruas. De início, com a luta do passe livre, a conhecida Revolta do Busão, que em junho conquistou a diminuição da passagem de ônibus.
    Em agosto, os trabalhadores, organizados em seus sindicatos e com seus métodos de luta, ocupam a cena política. Entraram em greve dos trabalhadores da saúde no dia 1°de agosto. Também vieram as greves os trabalhadores da educação e da segurança pública. Os policiais militares realizaram uma passeata e ameaçam, caso não sejam recebidos pela governadora, em não participar do desfile de 7 de setembro.
     
    Estas  mobilizações não reivindicam somente aumento salarial, mas melhores condições de trabalho e de prestação de serviço à população, contra a situação de sucateamento das escolas, hospitais e delegacias.
    Por isso, conquistaram um amplo apoio popular, que identifica como seu principal inimigo a figura da governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Com isso, o “Fora Rosalba” ganhou as ruas e tem apoio de massas, aprofundando a crise do governo. Sua rejeição já chegou a 83% e, consequentemente, ela está sem apoio político dos outros setores de sua classe.
     
    A SOLIDÃO DE ROSALBA
    De maneira geral, a burguesia potiguar considera a governadora um fracasso total e a culpam por falta de capacidade de acabar com a crise política.
    Esta semana, o PMDB, acaudilhado pelo senador Garibaldi Filho, rompeu com o governo, levando dois secretários e mais dois cargos executivos. O PR, do deputado João Maia, afirma que seguirá o mesmo caminho.
    Mas o inferno de Rosalba não para por aí. Até mesmo no DEM, partido da governadora, está ocorrendo uma insatisfação, com o senador José Agripino começando a apresentar criticas públicas.
    Com toda estas rupturas, o governo Rosalba perdeu a maioria na Assembleia Legislativa. A maioria dos parlamentares já está na oposição, incluindo o presidente da Assembleia. Esse quadro aponta para a ingovernabilidade do estado e para o perigo de impeachment da governadora.
     
    OS SERVIDORES DA SAÚDE 
    Os servidores da saúde vivem um grande enfrentamento contra o governo de Rosalba. Estão há mais de um mês em greve e realizam há quinze dias um acampamento em frente à casa dela.
    Em agosto, a luta foi muito dura. Houve várias passeatas, ocupações de prédios públicos, resistência contra assédio moral e ameaças das chefias. No entanto, está claro para os trabalhares que a greve já obteve várias vitórias políticas.
     
    “A greve serviu como uma alavanca impressionante para a campanha do ‘Fora Rosalba’. Ganhou apoio de toda a população e a solidariedade generalizada. Transformou os trabalhadores da saúde na vanguarda das lutas e em uma referência estadual”, afirma a vereadora do PSTU, Amanda Gurgel.
     
    Junto com isso a direção do sindicato se firmou como a direção da categoria. Isso porque a condução da greve é absolutamente democrática, inatacável até pela oposição. Nas assembleias, a base tem total liberdade para falar e apresentar suas propostas. Tudo é decidido por votações democráticas, de maneira que são os servidores que decidem o passo a passo da greve.
    Além disso, a direção do sindicato teve muita firmeza na orientação dos trabalhadores no enfrentamento com os ataques do governo e seus chefes. O governo ameaçou cortar o ponto de todos os funcionários grevistas e chegou a bloquear as inscrições dos plantões eventuais, mas o sindicato explicou que isso seria uma ilegalidade e que a força da greve obrigaria o governo a recuar. Um dos atos mais emocionantes foi a decisão dos chefes e coordenadores do Hospital Walfredo Gurgel que se recusaram a enviar o nome dos servidores em greve para a Secretaria de Administração, justificando que esta ato feria a Constituição brasileira e se caracterizava “como assédio moral coletivo”.
     
    Nos pagamentos do dia 29 e 30, nenhum dia foi descontado de nenhum trabalhador. Depois de muita pressão, os plantões eventuais foram liberados, fortalecendo de maneira impressionante a greve, pois os trabalhadores estão com seus pagamentos no bolso e com os plantões assegurados. O governo também entrou com o pedido da ilegalidade da greve. No entanto, o sindicato vai contestar o pedido do governo.
    O acampamento na frente da casa de Rosalba foi um acerto político fenomenal. Ganhou uma grande repercussão em todo o estado e até repercussão nacional. Uma referência para outros setores que, inclusive, se juntaram ao acampamento. O acampamento está sendo garantido por  trabalhadores da saúde, além da juventude ligada à ANEL e ao Movimento Passe Livre.
     
    A greve da saúde permanece forte e, por isso, a Secretaria de Saúde apresentou uma nova proposta aos trabalhadores, na qual reconhece a justeza de suas reivindicações, especialmente a correção da tabela do Plano de Cargos e a necessidade de novas contratações para o serviço público. Os trabalhadores vão decidir em assembleia se aceitam ou não a proposta.
     
    AÇÂO DIRETA CONTRA O GOVERNO
    Com a continuidade e o crescimento das greves e a insatisfação popular, o “Fora Rosalba” passou a ser uma tarefa imediata do movimento. Por isso, o PSTU defende a formação de um Comitê Fora Rosalba que centralize as ações para derrubar a governadora.

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