Greve na Bolívia chega ao oitavo dia e presidente diz que esposa quer continuar como primeira-dama

[07/10] Segue pelo oitavo dia a onda de manifestações populares na Bolívia, exigindo a renúncia do presidente Sánchez Lozada e a estatizacão das indústrias de gás e petróleo, controladas por multinacionais. Na madrugada do dia 7, manifestantes da Central Operária Boliviana (COB) e de outras organizações sociais fizeram bloqueios nas principais avenidas da capital La Paz e foram atacados pela polícia, que prendeu vários ativistas e deixou vários feridos.

No dia anterior, mais de 50 mil pessoas tomaram as ruas de La Paz por mais de seis horas. Também ocorreram protestos em dezenas de outras cidades bolivianas, além de bloqueios de importantes estradas do país por centenas de camponeses cocaleros e mineiros, dentro do cronograma de mobilizações da coordenação do movimento.

O presidente Sánchez Lozada tentou minimizar os protestos, alegando ser “apenas umas mil pessoas” e ainda ironizando a luta da população. “Não vou renunciar a presidência pois minha esposa quer continuar sendo a primeira–dama da nação”, afirmou em pronunciamento de televisão. Lozada prometeu reprimir quem tentar desestabilizar “o governo, a lei e a democracia”.

Uma das principais reivindicações dos manifestantes é a anulação de um acordo que prevê a exportação de gás boliviano para os EUA por um porto no norte do Chile. Pelo projeto, a petrolífera responsável ganhara mais de US$ 1 bilhão, enquanto o governo boliviano receberá apenas cerca de US$ 55 milhões de dólares.

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