Greve dos trabalhadores dos Correios cresce e tem adesão de 17 sindicatos


Trabalhadores cruzam os braços contra a terceirização do plano de saúde

A greve dos trabalhadores dos Correios completa 23 dias nesta sexta.  Ocorre fora da data base da categoria, devido à tentativa do governo e da Empresa dos Correios e Telégrafos (ECT) de privatizar o plano de saúde, conquista histórica dos trabalhadores.  

A categoria enfrenta duros ataques, como o boicote dos sindicalistas governistas da CUT e da CTB, que dirigem os maiores sindicatos da categoria (entre os quais São Paulo e Rio de Janeiro- ligado à CTB) que não aderiram à paralisação. Outro ataque é o da direção da empresa, através do seu superintendente, Idel Profeta Ribeiro (PT) que, para acabar com a greve, utiliza o argumento de que a empresa não está descumprindo a cláusula 11, do acórdão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) da campanha salarial 2013/2014, que trata do plano de saúde.  

Na semana passada, esse superintendente esteve na Bahia fazendo um acordo com a direção do sindicato, dirigido pela Articulação Sindical/CUT, para acabar com a greve. Infelizmente, por meio de manobras, conseguiu dar fim à paralisação.   Nesta quinta-fera (20), atuou da mesma maneira. Quando esteve em Goiás, na assembleia da categoria, tentou impedir que aderissem à greve nacional, mas, felizmente, foi derrotado e os trabalhadores desse estado também estão parados.  

Com essa adesão, já são 17 sindicatos em greve em todo país e os trabalhadores continuam firmes, demonstrando confiança na força de sua luta.  

A luta dos ecetistas é justa e necessária  
Os trabalhadores dos Correios estão em greve desde o dia 30 de janeiro lutando para manter o maior benefício que a categoria tem – o plano de saúde “Correios Saúde”. Contudo, o governo Dilma e a direção da ECT querem privatizar o benefício criando uma subsidiaria. Assim, a empresa deixaria de ser a gestora do plano e passaria o comando para uma terceirizada a “Postal Saúde”.

Ataque do governo à greve  
O governo também tem atacado a greve. Na semana passada, a senadora e ex-ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), conseguiu expor toda a política que está por trás do Postal Saúde. A senadora informou que o governo federal gasta o “absurdo” de R$ 1 bilhão por ano com assistência médica da ECT.  Esse gasto faz com que o governo deixe de fazer mais investimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Os trabalhadores ficaram indignados com esta afirmativa da senadora.

Os trabalhadores já tinham sofrido outro ataque essa semana com o corte dos benefícios, vale alimentação/refeição e cesta básica, por parte da empresa. Entretanto, por meio de uma ação no TST, a empresa foi obrigada a efetuar os depósitos, já nesta quinta-feira.   Além disso, a ação garante que não sejam descontados os dias parados, enquanto não for julgada a greve.   Essa decisão faz com que só aumente a disposição dos trabalhadores de continuar mobilizados por seus direitos.  

Audiência de conciliação  
Na próxima segunda-feira (24), haverá audiência de conciliação no TST, com o ministro Marcio Eurico, às 10h. Por isso, a greve está mantida até, no mínimo, o julgamento.

*Com informações de Geraldo Rodrigues