Greve dos metalúrgicos da CSN arranca conquistas

Assembléia dos metalúrgicos da CSN
PSTU-RJ

Trabalhadores das empreiteiras continuam paralisadosApós o início da greve no dia 1°, os metalúrgicos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de Volta Redonda (RJ) decidiram aceitar a proposta da empresa e encerraram o movimento no dia 6.

Com a greve, os trabalhadores da CSN conseguiram um reajuste de 5% (incluído o INPC); R$ 2 mil de abono; café da manhã gratuito; aumento do tempo de almoço de meia hora para uma hora; contratação de 400 trabalhadores para a área de alimentação. Houve acordo para que não haja perseguição aos ativistas. Os dias parados ainda serão negociados. Há 14 anos, a categoria não conseguia arrancar da patronal aumento real, INPC e ganhos sociais.

A greve de 1988 na CSN teve impacto nacional. A paralisação radicalizada arrancou do governo José Sarney todas as reivindicações. Em 1990, surgiu um novo movimento de greve que durou 31 dias, mas não obteve nenhum êxito.

A privatização da CSN em 1993 foi um desastre para os trabalhadores e contou com o apoio direto da Força Sindical, que dirigiu o sindicato na década de 1990 até 2006, quando foi varrida da entidade. O processo desempregou 25 mil trabalhadores, aumentou a jornada e terceirizou diversos setores. Os salários foram reduzidos em mais de 50%.

Terceirizados continuam parados
Mas os ganhos obtidos pelos metalúrgicos na recente greve não chegaram ao restante das contratadas, o que levou à continuidade do movimento. Os trabalhadores das empreiteiras foram, desde o início, a vanguarda da greve, paralisando suas atividades dois dias antes dos metalúrgicos da CSN. A unidade dos trabalhadores da CSN e a posição firme do sindicato, de apoio às reivindicações dos terceirizados, são fundamentais para concluir uma greve vitoriosa.

Vitória poderia ser maior
Os metalúrgicos da CSN e das empreiteiras demonstraram, desde o início do movimento, disposição para construir a greve de imediato. As assembléias reuniam de 7 a 9 mil operários com esse sentimento. Mas o PCdoB, que tem a maioria da direção do sindicato, tinha outra tática: negociar a qualquer custo uma proposta aceitável.

Infelizmente essa política acabou prevalecendo. A prorrogação do início da greve deu prazo para a empresa atacar o movimento, utilizando inclusive um forte aparato militar para conter a paralisação.

Outro grave equívoco do movimento foi ter concedido prazo maior para a CSN negociar e dividir a categoria que, pela primeira vez, fazia uma campanha unificada.

Diante desses erros, a unidade em torno da greve – que juntou MST, PSOL, PSTU, movimento dos sem-teto e Conlutas – foi parte fundamental da luta para garantir a vitória dos trabalhadores.

Conlutas e PSTU
A Conlutas deslocou sindicalistas de outros estados para dar solidariedade à greve. Desde o início do movimento, suas bandeiras estiveram à frente das principais entradas da usina.

O PSTU também esteve presente e distribuiu panfletos para milhares de trabalhadores apoiando a greve e alertando que a vitória na CSN teria efeitos na realidade nacional, ao questionar o arrocho dos patrões e o plano econômico de Lula.
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