Greve da educação do Rio Grande do Sul ganha força

No dia 2 de março, milhares de trabalhadores em educação do Rio Grande do Sul lotaram o Gigantinho, um dos maiores ginásios de Porto Alegre, para aprovar a greve por tempo indeterminado.

A categoria está reivindicando reajuste de 28%, mais um aumento de 8,69%. Além da questão salarial, professores e funcionários exigem o pagamento em dia do 130 salário, a atualização das promoções de professores e funcionários e a inclusão de todos os funcionários no plano de carreira.

O governador Germano Rigotto (PMDB), pré-candidato à presidência da República, permanece inflexível. O movimento grevista, em contrapartida, se fortalece a cada dia.

No dia 9 de março, foi realizada uma passeata com cerca de 6 mil participantes, vindos da capital e do interior. Os trabalhadores receberam o apoio de diversas entidades, que participaram com faixas e falas de solidariedade no ato de encerramento, em frente à sede do governo do Estado. A Conlutas participa ativamente da greve por meio da corrente Democracia e Luta – Oposição ao CPERS.

Orlando Marcelino, do Comando de Greve e membro da Democracia e Luta – Oposição, falou da importância da greve como ferramenta legítima dos trabalhadores. “Não existe governo, seja Rigotto, seja Lula, que vai atender os trabalhadores sem mobilização”, disse. Para ele, a greve é uma resposta do movimento aos ataques do governo do Estado, que prioriza o pagamento da dívida com o governo federal.
No último dia 16, a categoria realizou uma ocupação no gabinete da presidência da Assembléia Legislativa, em Porto Alegre. A ação se deu após várias tentativas de estabelecer diálogo com o governo Rigotto, que se recusava a atender os grevistas.

Já ocorreram dez demissões de contratados desde que a paralisação iniciou.
O resultado da ocupação foi a conquista de uma audiência do comando de greve com o secretário de Educação, José Fortunati. Na reunião, o secretário reafirmou a posição do governo de só falar em reajuste em maio. Os educadores não aceitaram e deram um prazo para que seja apresentada proposta. Também foi exigida a reincorporação dos demitidos. O secretário não deu resposta concreta, afirmando que essa seria enviada por escrito ao CPERS. Diante da mais completa falta de comprometimento do governo em abrir o diálogo, Marcelino avalia que Rigotto “será o único responsável pela radicalização do movimento, que vai acontecer”.
Post author Luciana Candido, de Porto Alegre (RS)
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