Graça Foster vai cair? Por uma nova direção da Petrobrás, eleita e controlada pelos trabalhadores

Graça Foster foi acusada de saber da corrupção na Petrobras

O momento é ideal para a categoria entrar em ação e exigir do Governo Dilma uma nova direção, eleita e controlada pelos trabalhadores, em defesa da Petrobrás 100% estatal

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, foi acusada de saber do esquema de corrupção na empresa desde 2009. A denúncia partiu da ex-gerente de abastecimento da Petrobrás, a geóloga Venina Veloso. A avaliação do Governo Federal, segundo reportagem da Folha de S. Paulo, é que as novas revelações da ex-gerente, destroem as condições para que Foster siga à frente da empresa.
 
Diante das denúncias de corrupção e da reação do mercado, com forte queda das ações da empresa, já iniciaram os burburinhos sobre a busca de um substituto para Graça Foster e para as demais diretorias da estatal. Um dos nomes citados seria o atual presidente da Vale, Murilo Ferreira, empresa que já foi estatal, mas sofreu privatização em 1997 no governo de Fernando Henrique Cardoso.
 
Segundo o petroleiro de Sergipe, Bruno Dantas, diretor do Sindipetro AL/SE, o momento é ideal para a categoria entrar em ação e exigir do Governo Dilma uma nova direção, eleita e controlada pelos trabalhadores, em defesa da Petrobrás 100% estatal. “Não muda nada deixar mais uma vez o governo e um Congresso Nacional corrupto decidirem quem é a próxima diretoria executiva. Quase todos eles foram eleitos através de campanhas milionárias, financiada com propina paga pelas empreiteiras, grandes empresas e bancos, portanto escolherão quem lhes interessa”.
 
Expulsar as raposas do galinheiro
O governo do PT e a diretoria executiva da empresa apontam soluções que não resolvem nada e ainda aprofundam o problema. Exemplo disso é a Diretoria de Governança, criada pelo Conselho de Administração da Petrobrás no final de novembro. Essa diretoria será indicada através de uma lista tríplice encaminhada ao Conselho Diretor da Petrobrás por uma empresa privada especializada do mercado.
 
De acordo com Bruno, esse diretor não poderá ser demitido e vai ter um mandato de três anos. Ou seja, é um representante dos acionistas internacionais, dentro da Petrobrás, com poderes e cheio de liberdade. “Com o lobo tomando conta do galinheiro, a empresa continuará sendo dilapidada e os trabalhadores na pior”, ironiza o petroleiro.
 
Campanha em defesa da Petrobrás
A CSP-Conlutas deliberou na sua última reunião de Coordenação Nacional, realizada em novembro, a organização de uma campanha nacional em defesa da Petrobras 100% estatal. A Central convoca suas bases e entidades filiadas a desenvolverem essa ação conjuntamente.
 
O Sindicato dos Petroleiros de Alagoas e Sergipe (Sindpetro AL/SE), filiado à CSP-Conlutas, é um dos impulsionadores dessa campanha. A entidade é contra a relação da empresa com o setor privado e credita a essa relação o esquema de corrupção vigente na empresa, por isso, exige que a Petrobrás deixe de atender aos interesses privados para se livrar da corrupção.
 
A CSP-Conlutas e seus sindicatos filiados defendem que trabalhadores não podem ser penalizados pela crise de corrupção na empresa, com a perda de emprego e outros ataques.
 
No município de Charqueadas (RS), cerca de 6 mil metalúrgicos  estão com empregos ameaçados. Uma empreiteira da região, contratada da Petrobras, está envolvida com a operação Lava Jato, o “petrolão”, e vai demitir em massa. Mobilizações de ruas estão ocorrendo com a exigência de manutenção dos empregos e denúncia que os trabalhadores não podem pagar pela corrupção com seus empregos.
 
A CSP-Conlutas também se colocou à disposição do chamado feito pelo Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN),  que propõe a realização de uma Conferência Nacional, juntando todos os sindicatos, a  Federação Única dos Petroleiros (FUP), a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), as centrais sindicais e outros movimentos sociais para uma Conferência Nacional pela Reestatização da Petrobrás.
 
De acordo com a resolução aprovada na Coordenação Nacional sobre o tema, a Central assume as bandeiras definidas unitariamente na plenária do Comitê “O Petróleo Tem Que Ser Nosso”, do Rio de Janeiro, e chama as bases das entidades filiadas a somarem-se a essas ações, cujas exigências devem ser levadas ao governo Dilma.
 
A Central exige:
 
– Em defesa da Petrobrás 100% estatal.
– Prisão e confisco dos bens de corruptos e corruptores. Abaixo a propaganda privatista da velha direita.
– Em defesa da Petrobrás e seus empregados.
– Pela volta do Monopólio.
– Petrobrás 100% estatal e pública sob controle dos trabalhadores e do povo brasileiro.
– Fim da terceirização.
– Abertura dos livros de todas as empresas.
– Transparência de verdade – acesso a todas as fases e valores dos contratos.
– Investigação rigorosa de todos os desvios e suspeitas, levada a cabo por movimentos sociais independentes.
– Estatização das empreiteiras envolvidas.
– Confisco dos bens de corruptos e corruptores.
– Estabilidade para fiscais de contrato e qualquer trabalhador que denunciar fraudes.
– Proibição de demissão nas empreiteiras envolvidas.
– Eleição dos gerentes pelos trabalhadores do setor.
– Eleição dos Executivos por Conselho de Representantes dos trabalhadores brasileiros