Governo não pode usar fichamento para esconder entreguismo

Desde o primeiro dia de janeiro, a medida de reciprocidade que obriga o fichamento – exigência de fotos e digitais – de cidadãos norte-americanos que ingressam no país, vem causando polêmica. Tudo começou com a determinação do juiz Julier Sebastião da Silva, em resposta ao mesmo tratamento designado a brasileiros nos EUA. A polêmica chegou ao seu auge quando um piloto norte-americano foi detido no aeroporto de Guarulhos (SP), após fazer um gesto obsceno durante a identificação.
Setores da burguesia brasileira não demoraram a exigir que o governo revogasse a medida. Para eles, o fichamento é uma “bobagem” que pode prejudicar as relações com o governo dos EUA e atrapalhar o turismo. O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL), até preparou uma recepção para os gringos no aeroporto – com direito a samba e dançarinas – que lembrou tristemente o turismo sexual.

O fato é que a ação de reciprocidade ganhou a imensa simpatia da população. Não só da classe média, cansada de passar por procedimentos vexatórios para entrar nos EUA, mas também da população trabalhadora, que enxerga no imperialismo norte-americano a culpa pela fome e miséria do mundo.

O governo Lula, que não teve a menor responsabilidade pela medida e passou dias sem se posicionar, ao perceber que a opinião pública estava a favor, lançou uma portaria mantendo o fichamento dos turistas norte-americanos.

A reciprocidade chama a atenção para as medidas preconceituosas e discriminatórias infligidas por Bush, que impede o acesso de cidadãos dos países pobres aos EUA. São notórios os casos de prisões ilegais, maus tratos e principalmente de assassinato de milhares de imigrantes que tentam entrar no país pela fronteira mexicana, onde foi erguido o “Muro da Vergonha”. No entanto, o conflito gerado pela medida é muito limitado e o governo Lula tenta se utilizar deste episódio para acobertar sua política externa entreguista, como faz ao continuar negociando a Alca e ao pagar a dívida externa.

Precisamos de uma verdadeira mobilização de massas para derrotar os planos de recolonização do imperialismo. Para isso é fundamental romper com a Alca e o FMI. Se Lula rompesse com tudo isso, certamente teria o respaldo e a simpatia dos trabalhadores brasileiros.

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